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TH Joias mantinha 200 kg de drogas e controlava pagamentos de vendas de cocaína, aponta MPF

Th Joias
Documento aponta que ex-deputado mantinha planilha chamada “Pó Amigo TH”, intermediava negociações e enviou a Índio imagens de uma sala com sacos de entorpecentes

Uma  planilha de cobrança identificada como “PÓ AMIGO TH”, fotografias de uma sala ocupada por sacos de entorpecentes e uma mensagem que fazia referência a 200 quilos de drogas estão entre os elementos usados pelo Ministério Público Federal (MPF) para acusar o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, de participação direta no tráfico de drogas.

Segundo a denúncia, TH não teria apenas mantido relações com integrantes do Comando Vermelho. Os procuradores sustentam que ele participou da intermediação de negócios envolvendo entorpecentes, acompanhou pagamentos, manteve drogas em depósito e ofereceu cocaína para venda.

As acusações fazem parte da ação penal decorrente da Operação Zargun, investigação que teve origem na apuração do tráfico internacional de armas do Paraguai para comunidades do Rio de Janeiro. Além de três episódios de tráfico de drogas, TH responde por organização criminosa, comércio ilegal de arma de fogo, 11 episódios de contrabando e 13 de corrupção ativa.

Planilha registra cobrança de cocaína

Um dos episódios destacados pelo MPF teria ocorrido em 8 de novembro de 2023. Conforme a acusação, mensagens trocadas entre TH e Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio e apontado como uma das peças da logística do grupo, indicariam a venda de cocaína a uma pessoa que não foi identificada.

O acompanhamento da dívida teria ultrapassado as conversas por WhatsApp. De acordo com os investigadores, TH enviou a Índio uma planilha contendo datas de pagamentos e o saldo que ainda seria devido pelo comprador.

O arquivo recebeu o nome de “PÓ AMIGO TH”. Para o MPF, o material constitui um dos indícios de que o ex-deputado participava não apenas da intermediação da negociação, mas também do controle dos pagamentos e do recebimento dos valores.

Imagens mostram cerca de 200 kg

Outro episódio citado na denúncia ocorreu em 21 de fevereiro de 2024. Segundo o MPF, TH enviou a Índio imagens de uma sala ocupada por diversos sacos de entorpecentes. Logo depois, escreveu: “Tem 200kg”.

Índio respondeu: “Isso não é bom de vender, não”.

A Procuradoria sustenta que as mensagens e imagens indicariam que TH mantinha aproximadamente 200 quilos de drogas sob sua guarda com finalidade comercial.

A própria denúncia, entretanto, apresenta uma divergência sobre qual seria a droga. Em um momento, a substância é mencionada como cocaína; posteriormente, ao descrever as imagens dos sacos, o documento faz referência a maconha.

Nova oferta de droga

A terceira situação apontada pelos procuradores teria ocorrido em 27 de junho de 2024. De acordo com a acusação, TH voltou a procurar Índio, dessa vez para oferecer cocaína.

O então deputado atuaria como intermediário de um fornecedor que não chegou a ser identificado pelos investigadores. O MPF afirma não ter sido possível comprovar que a negociação terminou com a efetiva entrega do entorpecente.

A Procuradoria sustenta, porém, que a oferta da droga já se enquadra em uma das condutas previstas na legislação para caracterizar o crime de tráfico.

Ao reunir os três episódios, os procuradores afirmam que TH “contribuiu para venda, manteve em depósito sob sua guarda e posse e ofereceu para venda” entorpecentes. Com base nessa interpretação, foram imputados ao ex-deputado três crimes de tráfico de drogas.

MPF aponta elo político da organização

As acusações contra TH vão além das negociações de drogas. Na estrutura da organização descrita pelo MPF, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, aparece na liderança. Abaixo dele estaria um chamado “núcleo de liderança política”, do qual fariam parte TH e Alessandro Pitombeira Carracena.

Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, que trabalhou como assessor parlamentar de TH, são apontados como integrantes do núcleo de coordenação logística.

Para os procuradores, TH funcionaria como elo entre integrantes do Comando Vermelho e instituições do Estado, além de coordenar atividades ilícitas ao lado de Índio e Dudu, sob a supervisão de Pezão.

O documento também registra que TH foi condenado em 2017 a 14 anos, 11 meses e 22 dias de prisão por tráfico de drogas. Em 2022, concorreu a deputado estadual pelo MDB, ficou na suplência e assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em junho de 2024.

Política, dinheiro e suspeita de interferência

Segundo a denúncia, parte dos fatos investigados coincide com o período de atuação política de TH. O MPF afirma que o então parlamentar prometia apoio a projetos sociais em comunidades nas áreas de esporte, cultura e educação. Ele também chegou à presidência da Comissão de Defesa Civil da Alerj.

Paralelamente, segundo os procuradores, TH teria atuado na intermediação de interesses relacionados à organização criminosa. A acusação afirma que ele tentou interferir na escolha do presidente de uma associação de moradores do Gardênia Azul e chegou a propor a indicação de um comandante para o 2º Comando de Policiamento de Área da Polícia Militar.

Em outro episódio, datado de 25 de abril de 2024, TH teria antecipado a Índio informações sobre uma operação policial nos complexos do Alemão e da Penha e se oferecido para ajudá-lo a se esconder.

A denúncia menciona ainda uma fotografia encontrada em uma nuvem atribuída ao ex-deputado. Na imagem, registrada às 14h40 de 2 de maio de 2024, TH apareceria deitado sobre uma cama coberta por dinheiro em espécie. Segundo o MPF, a fotografia teria sido feita “aparentemente em sua casa”.

A organização investigada é descrita pelo MPF como uma estrutura ligada ao Comando Vermelho e dividida em cinco braços: liderança, liderança política, coordenação logística, infiltração e corrupção, além de um núcleo operacional. A acusação sustenta que o grupo utilizava integrantes e agentes infiltrados na estrutura estatal para movimentar drogas e armas e obter informações antecipadas sobre operações policiais.

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