O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) recebeu, nesta quinta-feira (10), a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, e outros cinco acusados de envolvimento em um esquema de corrupção, tráfico de drogas e contrabando ligado ao Comando Vermelho, investigado na Operação Zargun.
Por unanimidade, com seis votos, a decisão da 1ª Seção do Tribunal tornou réus o ex-parlamentar, além de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, o ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena e o delegado de Polícia Federal Gustavo Stteel pela prática de corrupção e outros crimes.
Na denúncia, o MPF apontou a estabilidade de uma organização ligada à facção Comando Vermelho que infiltrou integrantes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e em secretarias estaduais para atuar no comércio ilegal de armas trazidas a comunidades do Rio de Janeiro a partir do Paraguai. Os crimes atribuídos incluem ainda tráfico de drogas, contrabando de equipamentos antidrone e corrupção de agentes públicos.
Os investigadores apontam que o grupo importou clandestinamente bloqueadores de sinal de drone, de uso proibido para pessoas físicas e empresas, para sabotar e evitar o monitoramento das forças de segurança durante operações policiais.
TH está preso desde setembro de 2025 por acusação de ligação com o Comando Vermelho (CV). Ele aguarda o julgamento em uma cela individual com direito a apenas duas horas de sol por dia na Penitenciária Federal de Brasília.
Papeis dos envolvidos
De acordo com o MPF, o esquema envolvia a ocupação de cargos públicos, o vazamento de dados policiais e a facilitação de vantagens ilícitas. Na Alerj, sob a liderança de TH Joias, assessores negociavam munições de uso restrito (inclusive recolhidas em apreensões policiais), intermediavam a venda de drogas e usavam o gabinete para acomodar indicações da facção.
Nas secretarias estaduais de Casa Civil e de Defesa do Consumidor, o ex-secretário Carracena vazava dados policiais em troca de vantagens indevidas. Já o delegado Wallace Stteel repassava informações privilegiadas e tentava intervir em favor dos líderes do grupo em troca de cargos públicos para sua companheira, entre outras contrapartidas.
Além da condenação pelos crimes imputados, o MPF requereu ao TRF2 a manutenção das medidas cautelares pessoais e patrimoniais fixadas pela Justiça. O Tribunal manteve a prisão preventiva dos acusados, ordenou a transferência do ex-deputado da Alerj para penitenciária federal e deu aval ao compartilhamento de provas e uso de bens apreendidos.
Desmembramento
Com a decisão da Justiça, o processo foi desmembrado: o núcleo central será julgado pelo TRF2, enquanto outros nove acusados fora desse núcleo (como policiais militares, assessores e intermediários) serão julgados pela primeira instância da Justiça Federal.
Denunciados e crimes atribuídos:
TH Joias – organização criminosa majorada; tráfico de drogas (3x); contrabando de equipamentos (11x); corrupção ativa (13x); comércio ilegal de arma de fogo e munições
Gabriel Dias – organização criminosa majorada; tráfico internacional de armas de fogo (4x); comércio ilegal de arma de fogo e munições (6x); posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (2); disparo de arma de fogo; tráfico de drogas (4x); contrabando de equipamentos (11x); corrupção ativa (13x)
Luiz Eduardo Cunha – organização criminosa majorada; tráfico internacional de armas de fogo; comércio ilegal de arma de fogo e munições (6x); posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito; tráfico de drogas (4); contrabando de equipamentos (11x); corrupção ativa (13x)
Alessandro Pitombeira – organização criminosa majorada; corrupção passiva (7x)
Gustavo Stteel – organização criminosa majorada; corrupção passiva (6x)









