O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes se reuniu com Daniel Vorcaro no dia 11 de abril de 2024, para tratar de uma causa bilionária de interesse do banqueiro. Na ocasião, o empresário estava acompanhado de dois advogados do Banco Master. A informação foi divulgada por Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, e confirmada pelo próprio magistrado.
De acordo com o ministro, o tema do encontro foi uma causa envolvendo créditos decorrentes de uma indenização devida pela União à Destilaria Alcídia, no interior de São Paulo. Durante o julgamento, ocorrido em junho de 2025, na Segunda Turma, Gilmar votou contra os interesses do Banco Master e foi voto vencido.
Nesta quinta-feira (17), o Estadão apontou que o ex-cunhado do magistrado, Chiquinho Feitosa, firmou contrato com uma empresa apontada pela Polícia Federal (PF) como instrumento de Vorcaro para ocultar patrimônio e esconder dinheiro, a Super Empreendimentos. Mensagens divulgadas apontaram o pagamento de R$ 500 mil à F&A Consultoria em Gestão Empresarial e Logística, empresa de Chiquinho.
Chiquinho Feitosa é irmão da advogada Guiomar Feitosa, que foi casada com o ministro até novembro de 2025, quando os dois se divorciaram. As conversas mencionadas ocorreram em um período no qual o vínculo familiar entre eles ainda existia.
Posicionamento do ministro Gilmar Mendes
“Chiquinho Feitosa é ex-cunhado do Ministro. O Ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente.
A audiência ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do Ministro, no Supremo Tribunal Federal, e contou com a presença dos advogados do Banco Master. Foi realizada na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado. O recebimento de advogados em audiência é prerrogativa assegurada pelo art. 7º, VIII, da Lei 8.906/1994. Na ocasião, tratou-se de causa do setor sucroalcooleiro — ARE 1327995, de relatoria do Ministro Edson Fachin, em que figura como recorrida a Destilaria Alcídia S/A.
Nesse processo, julgado pela Segunda Turma em 3 de junho de 2025, o Ministro Gilmar Mendes votou contra os interesses do Banco Master. O voto foi contra o pagamento do precatório, no sentido defendido pela União. Ficou vencido, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. Prevaleceu a posição dos Ministros Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli, favorável à empresa.
O voto foi o mesmo em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma. No ARE 1312127 (Raízen), relatado pelo Ministro, ele votou contra o pagamento do precatório, e a União saiu vitoriosa em 16 de setembro de 2024, vencidos os Ministros Edson Fachin e Nunes Marques. No ARE 1392660 (Jalles Machado), votou duas vezes contra o pagamento à usina — em 6 de agosto de 2024 e em 19 de agosto de 2025 —, ficando vencido nas duas ocasiões, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. No ARE 1500251 (Raízen), pediu destaque em 15 de agosto de 2025 e interrompeu julgamento que se encaminhava em favor da usina. Na STP 976-ED, votou em todas as sessões contra a liberação do precatório de mais de R$ 5 bilhões.
Em nenhum desses processos o Ministro votou em sentido favorável aos interesses apontados pela reportagem — inclusive após a audiência mencionada.”









