O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, na tarde desta quarta-feira (28), que é o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e prometeu liderar a oposição ao governo Lula (PT). Está é a primeira manifestação pública do parlamentar após desembarcar nos Estados Unidos com a família. A nota foi divulgada pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro.
“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”, disse.
No texto, o senador expressou agradecimentos ao presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump, e ao governo americano por concederem abrigo e segurança jurídica à sua família. O senador também rebateu as acusações de que teria fugido do país e destacou que não há mandado de prisão expedido contra ele.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime”, afirmou.
Para Flávio, sua permanência no Brasil resultaria em censura ou prisão, o que impediria sua atuação como liderança oposicionista, a exemplo do que ocorre com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para fundamentar a decisão de manter sua militância política fora do país, Flávio citou precedentes de personalidades históricas que atuaram no exílio, incluindo Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
“Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil”, declarou o senador.
Carta na qual Flávio se diz ‘presidente eleito’ usou brasão nacional substituído na ditadura
A carta de Flávio Bolsonaro (PL) na qual ele se autoplocama presidente da República foi enviada à jornalistas inicialmente com um brasão antigo que se refere ao país como “Estados Unidos do Brasil” — utilizado no período da Proclamação da República, em 1889, até 1968. Treze minutos depois, foi compartilhada uma versão com o brasão “República Federativa do Brasil”.
O documento foi divulgado pelo aliado de Flávio Paulo Figueiredo. A enviar a segunda versão, o bolsonarista escreveu: “versão com brasão correto”.
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Flávio perdeu as eleições presidenciais contra Lula por cerca de 4,4 milhões de votos no último domingo (25). A eleição foi marcada por um impasse após relatos de que o transporte público teria sido reduzido em cidades como Salvador (BA) e São Paulo (SP).
O ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou que a manutenção das seções eleitorais até às 19h em todo o país, duas horas a mais do que o previsto. Zanin atendeu a um pedido da campanha petista sobre o transporte coletivo. No entanto, a equipe de Flávio também solicitou a prorrogação da votação em locais afetados pelas fortes chuvas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h no segundo turno. Após o TSE confirmar a vitória de Lula, o candidato do PL disse que não reconheceria o resultado e pediria a anulação da eleição. A proposta, contudo, não teria sido bem aceita por parte de seus aliados.
Na segunda-feira (26), Flávio foi intimado pela Polícia Federal logo após deixar a casa do pai por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do processo em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por suposta lavagem de dinheiro.
O ministro determinou que ele entregasse os passaportes, o proibiu de deixar o país e de manter contato com Tomaz. Horas depois, Flávio divulgou um vídeo, recuou sobre a anulação da eleição e disse que pediria a cassação da chapa vencedora.
Além disso, ele garantiu aos seus apoiadores que não tinha intenção de deixar o Brasil. Os rumores sobre a possível saída do país começaram na madrugada de terça-feira (27) a partir de publicaçãos do site argentino Infobae. Os aliados do senador alegaram que sua decisão teria sido motivada para evitar perseguição política.
No final da noite de terça-feira (27), notícias davam conta de que Flávio e sua família já tinham desembarcado nos Estados Unidos. Porém, eles chegaram na manhã de quarta-feira (28) no aeroporto executivo de Opa-Locka, na região de Miami, Flórida. A viagem foi realizada em um jato executivo que partiu de Puerto Iguazu, na Argentina, com escala em Guayaquil, no Equador.








