A saída de Cláudio Castro da disputa por uma vaga no Senado em 2026 não significou seu afastamento completo da estrutura política do Partido Liberal (PL). Segundo informações divulgadas pelo jornalista Thiago Prado, de O Globo, em sua newsletter semanal Jogo Político, o ex-governador do Rio de Janeiro acertou com a legenda uma remuneração mensal bruta de R$ 38 mil, equivalente a cerca de R$ 27,8 mil líquidos.
O acordo foi firmado com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, após Castro desistir de disputar uma das vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro. A decisão ocorreu depois de duas operações de busca e apreensão realizadas pela Polícia Federal em maio, que colocaram o ex-governador no centro de diferentes investigações.
Os recursos utilizados para o pagamento são oriundos do Fundo Partidário, abastecido por verbas públicas da União. Em 2025, o PL teve acesso a cerca de R$ 192 milhões por meio desse mecanismo. O mesmo modelo já havia sido adotado pelo partido em relação ao vereador licenciado Carlos Bolsonaro, que também passou a receber remuneração da legenda.
Cinco celulares na mira da Polícia Federal
Paralelamente ao acordo político, as investigações federais seguem avançando sobre a vida patrimonial e financeira do ex-governador.
De acordo com a publicação de Thiago Prado, a Polícia Federal concentra parte de suas análises em cinco aparelhos celulares apreendidos em duas operações realizadas em um intervalo de apenas 11 dias.
A primeira ocorreu em 15 de maio, durante buscas autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação envolvendo a refinaria Refit, ligada ao empresário Ricardo Magro.
Inicialmente, os agentes tinham autorização para cumprir mandados em um apartamento localizado no 12º andar de um edifício no condomínio Península, na Barra da Tijuca. No entanto, durante a diligência, um porteiro informou que Castro estaria residindo em uma cobertura no mesmo prédio.
No local foram apreendidos três celulares, além de um iPad e um computador. Entre os aparelhos recolhidos estavam um telefone utilizado como principal ferramenta de comunicação do ex-governador, outro destinado a jogos eletrônicos e um terceiro mais antigo, utilizado desde os primeiros anos à frente do governo estadual.
Onze dias depois, uma nova operação autorizada pelo ministro André Mendonça, também do STF, desta vez relacionada às investigações sobre o Banco Master, levou a Polícia Federal novamente ao imóvel.
Nova operação amplia material apreendido
Na ocasião, outros dois celulares foram recolhidos pelos investigadores. Um deles teria sido adquirido recentemente, enquanto o outro remonta ao período em que Castro ocupava o cargo de vice-governador na gestão de Wilson Witzel.
O conjunto de dispositivos passou a integrar o material analisado pela PF em busca de informações relacionadas aos inquéritos em andamento.
Mudança de endereço e nova atividade profissional
Enquanto responde às investigações, Castro iniciou um processo de reorganização de sua vida profissional.
Segundo a newsletter, o ex-governador registrou a Cláudio Castro Sociedade Individual de Advocacia e pretende atuar na área cível após deixar a vida política. O escritório foi instalado em uma sala comercial na Rua da Assembleia, no Centro do Rio de Janeiro.
Até o momento, porém, não há registro de emissão de notas fiscais pelo novo empreendimento.
Ao mesmo tempo, Castro estaria concluindo a mudança para a cobertura pertencente à empresa J3 Real Estate, ligada ao ex-secretário estadual de Transformação Digital, Mauro Farias. O imóvel foi adquirido por R$ 3,5 milhões em abril de 2023 e permaneceu desocupado até recentemente.
Defesa prepara explicações sobre patrimônio
De acordo com a publicação, a estratégia da defesa deverá se concentrar na demonstração das principais despesas mensais do ex-governador e de sua esposa, a publicitária Analine Castro.
Entre os gastos listados estão R$ 10 mil de aluguel da cobertura onde reside, R$ 5 mil de condomínio, R$ 6 mil referentes à sala comercial destinada ao escritório de advocacia e R$ 7 mil para a mensalidade escolar de dois filhos do casal.
Além disso, Castro vendeu recentemente o apartamento que possuía no Itanhangá, declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022 por R$ 150 mil. Também buscou o reconhecimento do direito ao recebimento de aproximadamente R$ 142 mil referentes a férias não usufruídas durante o período em que esteve à frente do Governo do Estado.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal seguem em andamento e ainda não há conclusão sobre os fatos apurados nos diferentes inquéritos que envolvem o ex-governador.








