Machado dedicou a conquista a ele, enquanto Casa Branca insinuou que Trump foi preterido por motivos ideológicos
CARACAS- A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz na manhã desta sexta-feira, 10, dedicou a vitória ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que era um dos cotados a receber o Nobel.
“Este imenso reconhecimento da luta de todos os venezuelanos é um ímpeto para concluir nossa tarefa: alcançar a liberdade”, escreveu ela na rede social X. “Hoje, mais do que nunca, contamos com o presidente Trump, o povo dos Estados Unidos, os povos da América Latina e as nações democráticas do mundo como nossos principais aliados para alcançar a liberdade e a democracia. Dedico este prêmio ao povo sofredor da Venezuela e ao presidente Trump por seu apoio decisivo à nossa causa”.
A líder, que já conquistou três importantes prêmios internacionais — o Nobel, o Sakharov e o Václav Havel — vive na clandestinidade desde a contestada vitória do ditador Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de julho de 2024, denunciadas como fraudulentas pela oposição.
A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, discursa para apoiadores, em Caracas Foto: Pedro Mattey/AFP
“O que é isso? Eu não posso acreditar, estou chocada!”, disse em uma conversa com seu aliado Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha e que a substituiu como candidato nas últimas eleições após sua inabilitação.
Machado foi premiada “por seu incansável trabalho de promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”, anunciou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes.
“É um dos exemplos mais extraordinários da coragem civil na América Latina em tempos recentes”, destacou.
A líder da oposição, María Corina Machado, participa de uma entrevista em Caracas, Venezuela Foto: Federico Parra/AFP
Segundo ele, a líder venezuelana se impôs como “uma figura fundamental unificadora em uma oposição política que antes esteve profundamente dividida” e que agora exige “eleições livres e um governo representativo”.
“Apesar de enfrentar sérias ameaças contra sua vida, ela permaneceu no país, uma escolha que tem inspirado milhões”, acrescentou o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, que avaliou que a Venezuela “evoluiu de um país próspero e relativamente democrático para um Estado brutal e autoritário”.
Casa Branca descontente
Como esperado, a decisão do Nobel decepcionou Donald Trump, que deixou claro o seu desejo de receber o premio. O republicano pressionou as delegações de Israel e o grupo terrorista Hamas para aceitarem um cessar-fogo antes da divulgação do vencedor.
“O presidente Trump continuará alcançando acordos de paz, acabando com guerras e salvando vidas”, escreveu no X o diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung. “O Comitê do Nobel provou que coloca a política acima da paz”, disse..
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O prêmio coincide com uma operação militar dos Estados Unidos no Caribe, que o governo Maduro considera uma “ameaça”. Washington acusa o ditador venezuelano de estar por trás de uma grande rede de narcotráfico internacional.
Machado manifestou seu apoio a essa mobilização militar, que levou a vários ataques a embarcações na região que, segundo os Estados Unidos, transportavam drogas./com AFP









