A Procuradoria-Geral da República denunciou nesta sexta-feira três delegados da Polícia Civil do Rio de Janeiro por suspeita de obstrução de Justiça e associação criminosa no inquérito sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo o órgão, os policiais teriam atuado para dificultar o avanço das investigações e garantir a impunidade dos responsáveis pelo crime.
A denúncia foi apresentada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, e protocolada no Supremo Tribunal Federal. O processo deriva de um desmembramento da investigação que já tramita na Corte.
Delegados são acusados de ocultar provas
Os denunciados são os delegados Rivaldo Barbosa de Araújo, Giniton Lages e Marco Antônio de Barros. De acordo com o Ministério Público Federal, o grupo teria adotado medidas para comprometer a apuração do crime, incluindo ocultação de provas, direcionamento das investigações contra inocentes e uso de testemunhos falsos.
Segundo a procuradoria, os policiais também teriam promovido diligências consideradas ineficazes e permitido o desaparecimento de elementos importantes para o caso. A PGR afirma que a atuação do grupo ocorreu em um contexto de “mercantilização de homicídios” no estado, no qual crimes seriam encomendados por organizações criminosas.
PGR pede condenação e perda de cargos
Na denúncia, o vice-PGR solicita a condenação dos três por associação criminosa e obstrução de Justiça, além da manutenção das medidas cautelares já impostas. O órgão também pede a perda dos cargos públicos e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.
Rivaldo Barbosa era chefe da Polícia Civil fluminense na época do assassinato, enquanto Lages e Barros participaram diretamente da investigação inicial do caso.
STF deve julgar acusados de planejar o crime
Paralelamente, o ministro Flávio Dino marcou para os dias 24 e 25 de fevereiro o julgamento, no Supremo, de cinco acusados de planejar o assassinato da vereadora. Entre os réus estão o deputado cassado Chiquinho Brazão, o conselheiro do TCE Domingos Brazão e o próprio Rivaldo Barbosa.
Os executores do crime, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, firmaram acordos de delação premiada, confessaram participação no atentado e já foram condenados pela Justiça do Rio. Lessa recebeu pena de 78 anos de prisão, enquanto Queiroz foi sentenciado a 59 anos.








