Almir, 80 anos, mora atualmente em Vila dr Cava
*Fabrício Amaral
Em uma cidade construída também pelas histórias simples, pelas relações de vizinhança e pelos encontros cotidianos, alguns personagens acabam se tornando maiores do que qualquer homenagem oficial. Em Nova Iguaçu, no bairro Pombal do IBC, um desses nomes é o de Almir Lima do Nascimento, que em dezembro de 2025 completou 80 anos de vida.
Conhecido carinhosamente por gerações de moradores como Sr. Almir, ele viu seu nome atravessar décadas e ganhar um reconhecimento raro: o carinho espontâneo da comunidade.
O famoso “Campinho do Almir” nasceu da convivência, das memórias e da relação construída ao longo dos anos com os moradores do bairro.
O estabelecimento do Sr. Almir se tornou ponto de encontro, referência e parte da rotina da comunidade. Mais do que comerciante, ele era uma figura presente no cotidiano do bairro. Participava das atividades locais, incentivava os encontros e ajudava a transformar a praça em um espaço vivo.

Ao lado do então prefeito Ruy de Queiroz, colaborava na realização de festas juninas, julinas, carnavais e campeonatos de futebol que marcaram gerações no Pombal do IBC.
O espaço também se tornou referência cultural no bairro. Mesmo com a tradição do bloco carnavalesco Pulo do Gato na região, muitos integrantes do tradicional Bloco das Piranhas, outro bloco, escolhiam o Bar do Almir como ponto de encontro para ensaios e concentração antes das apresentações carnavalescas, fortalecendo ainda mais a ligação do local com a cultura popular iguaçuana.
As histórias permanecem vivas na memória dos moradores. Em meio às peladas no campinho, era comum ouvir o Sr. Almir interromper a brincadeira com uma frase que virou lembrança afetiva de muitos:
“Tá valendo uma caixa de refrigerante!”
Era o suficiente para transformar um jogo comum em campeonato. A criançada vibrava, os adultos participavam e a praça se tornava um verdadeiro espaço de convivência popular.
Mas o reconhecimento ao Sr. Almir vai além das brincadeiras e eventos. O carinho da comunidade também nasceu da forma respeitosa e acolhedora com que sempre tratou os idosos, as crianças e os moradores do bairro.
O nome “Campinho do Almir” atravessou décadas de maneira espontânea, fortalecido pela memória afetiva de quem frequentava a praça e viveu aquele período.
Mesmo após a praça receber o busto do sambista Dedé da Portela, muitos moradores continuam chamando o local pelo nome que atravessou gerações: Campinho do Almir.
Porque existem homenagens que não pertencem à história “oficial”.
E existem aquelas que pertencem ao coração das pessoas.
- Fabricio Amaral, é produtor cultural, desenvolve um trabalho de resgate à história do samba e de espaços que de alguma forma ajudaram a contribuir para à cultura popular iguaçuana.









