O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (2) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o parlamentar solicitar ao governo dos Estados Unidos o adiamento da aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o Brasil “não está à venda” e classificou a iniciativa como uma atitude de “traidores da Pátria”.
A manifestação do presidente ocorreu um dia depois de Flávio encaminhar um documento ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), pedindo que a entrada em vigor de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros seja adiada por 180 dias, após as eleições presidenciais de outubro.
Lula critica pedido de adiamento
Na publicação, Lula afirmou que não existe justificativa para a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros, independentemente do calendário eleitoral.
Segundo o presidente, a possibilidade de sanções comerciais tem relação com a atuação da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano.
“O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros”, escreveu.
Em seguida, acrescentou:
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.”
Lula também afirmou considerar “inaceitável” qualquer tentativa de submeter os interesses brasileiros aos Estados Unidos, classificando essa postura como “entreguismo”.
Carta enviada aos Estados Unidos
No documento encaminhado ao USTR, Flávio Bolsonaro argumenta que a aplicação imediata das tarifas poderia fortalecer politicamente Lula durante o período eleitoral. Por isso, solicita que a medida seja postergada por seis meses.
O senador também afirma que o Brasil busca reduzir restrições impostas pelo Mercosul para ampliar negociações comerciais com os Estados Unidos.
Investigação comercial está em andamento
A troca de críticas ocorre enquanto o USTR conduz uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que avalia possíveis práticas brasileiras consideradas prejudiciais a empresas norte-americanas.
A apuração envolve temas como comércio digital, funcionamento do PIX, tarifas comerciais, propriedade intelectual, corrupção, etanol e políticas ambientais relacionadas ao desmatamento.
Caso o governo norte-americano conclua que houve práticas consideradas desleais, novas tarifas poderão ser aplicadas sobre produtos brasileiros.
Mercosul e PIX também entram no debate
Na mesma manifestação, Lula criticou declarações de Flávio Bolsonaro sobre o Mercosul, afirmando que enfraquecer o bloco econômico representa um prejuízo aos interesses nacionais.
O presidente também voltou a defender o PIX, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central, que integra os pontos analisados pela investigação norte-americana.
Segundo Lula, o sistema é uma conquista brasileira e continuará sob controle nacional.
“Não vão conseguir. O PIX é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, afirmou.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem afirmado que o PIX foi implantado durante o governo de Jair Bolsonaro e rejeita a acusação de que pretende abrir espaço para interesses estrangeiros sobre o sistema de pagamentos.





