A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) expôs, em vídeos publicados nas redes sociais na última quarta-feira (24), um atrito com o enteado e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). O desentendimento surge de uma discordância sobre acordo envolvendo o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará. A informação é do portal CNN Brasil.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi“, afirmou a ex-primeira-dama.
“Fiquei na minha e assim permaneço. […] E desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso”, completou.
Ainda na noite de ontem (24), Flávio rebateu às acusações da madrasta. “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, escreveu o senador em publicação nas redes sociais. “Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, afirmou.
“Toda nossa família está passando por um momento muito difícil. E entendo a angústia da Michelle vendo meu pai, todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça”, concluiu.
O acordo do PL com Ciro Gomes
O atrito entre Michelle e Flávio começou ainda em dezembro do ano passado, quando o PL (Partido Liberal) articulava, junto ao deputado André Fernandes (PL-CE), uma aliança com Ciro Gomes em apoio à uma eventual candidatura no Ceará. Na época, a ex-primeira-dama ressaltou que “não abriria mão de seus valores” e, por isso, se declarou contra qualquer apoio a Ciro, o que gerou reações contrárias e críticas dos filhos de Bolsonaro, inclusive Flávio.
Durante a sua campanha à Presidência em 2022, o ex-ministro teceu duras críticas ao clã Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus filhos eram ladrões.
Na recente declaração, Michelle avaliou que Ciro foi um dos principais responsáveis pelo processo que levou à inelegibilidade do ex-presidente, mas que, mesmo assim, “como se nada tivesse acontecido, os filhos defendem uma aliança com o candidato que deixou o pai deles, o meu marido, inelegível e humilhado”.
O acordo com Ciro envolveu um ponto fundamental para a ex-primeira-dama: a rejeição do nome da vereadora e atual vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscila Costa, aliada de Michelle, para uma vaga ao Senado.
Flávio decidiu que a vaga na composição bolsonarista deveria ser do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE), que é pai de André Fernandes.
“Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil?”, questionou Michelle no vídeo publicado ontem.
Segundo a ex-primeira-dama, o nome de Priscila tinha o respaldo de Jair Bolsonaro e desrespeitar sua decisão seria um “ato de traição”.
Integrantes do PL dizem que a ex-primeira-dama vem buscando um protagonismo que não cabe neste momento. Apesar de reconhecerem sua importância para o projeto do partido com mulheres e evangélicos, integrantes da sigla ouvidos pela CNN avaliam que ela extrapolou os limites ao expor atritos com Flávio Bolsonaro.
Dirigentes da legenda, sob reserva, afirmam que Michelle defende um preciosismo ideológico que não vence eleição. E afirmam que todas as construções de alianças foram autorizadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que vê na vitória do primogênito a sua chance de deixar a prisão e anular a condenação por crimes relacionados a uma tentativa de golpe de Estado.








