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Empresa de Bangu investigada por lavagem de dinheiro em combustíveis recebeu R$ 102 milhões do Banco Master

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Metanoein, sediada na Zona Oeste, recebeu repasses milionários classificados como prestação de serviços e conecta banco de Vorcaro a setor de varejo de postos de gasolina, suspeito de ligação com crime organizado

O repasse de R$ 102 milhões realizado pelo Banco Master entre 2023 e 2025 para uma empresa localizada em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, colocou a instituição financeira no centro de uma nova frente de investigações envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e atuação do crime organizado no setor de combustíveis. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Os pagamentos foram destinados à Metanoein Participações e Consultoria Ltda., empresa que, segundo registros oficiais, atua nos segmentos de consultoria empresarial e serviços administrativos. As transferências foram classificadas pelo banco como remuneração por prestação de serviços.

A empresa é administrada por Rose Evelyn Machado Coité, empresária apontada pelo Ministério Público Federal (MPF) como responsável por uma rede de postos de combustíveis supostamente operada por meio de terceiros, conhecidos como “laranjas”.

Investigação avança sobre setor de combustíveis

As movimentações financeiras passaram a chamar a atenção das autoridades após o avanço das investigações relacionadas à Operação Carbono Oculto, iniciada em agosto de 2025. A apuração busca identificar possíveis conexões entre organizações criminosas, o mercado de combustíveis e operações financeiras consideradas suspeitas.

Embora Rose Evelyn seja reconhecida em Bangu como uma figura influente no setor de combustíveis, não há postos registrados oficialmente em seu nome ou no de seus familiares. Nos registros da Receita Federal, ela aparece vinculada apenas a empresas de consultoria, advocacia e diagnósticos médicos.

O CNPJ da Metanoein também não indica qualquer atuação formal no ramo de combustíveis, o que reforçou o interesse dos investigadores em compreender a origem e a finalidade dos recursos movimentados.

Contas e aplicações financeiras foram alvo de bloqueio

Nos últimos meses, a Metanoein foi atingida por medidas judiciais determinadas pela 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. O processo tramita sob segredo de Justiça, mas documentos registrados na Junta Comercial apontam que o Ministério Público Federal solicitou o bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras ligadas à empresária e seus familiares.

Segundo os registros, os investigadores suspeitam que postos de combustíveis estariam sendo mantidos em nome de terceiros para ocultar os verdadeiros proprietários.

A investigação envolve 46 empresas e cita ainda diversos empresários e supostos intermediários utilizados para encobrir a titularidade dos estabelecimentos comerciais.

Ligação com operação contra lavagem de dinheiro

A ordem judicial registrada nos documentos da Metanoein ocorreu um dia após a deflagração da Operação Centelha, conduzida pela Polícia Federal para combater um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal relacionado ao jogo do bicho no Rio de Janeiro.

As autoridades não confirmam oficialmente se Rose Evelyn ou integrantes de sua família figuram entre os alvos da operação. No entanto, investigações divulgadas anteriormente apontam possíveis conexões com pessoas ligadas ao histórico da contravenção no estado.

Entre os estabelecimentos investigados está o Posto Castor, cujo proprietário formal mantém relação societária com uma empresa que teve o falecido advogado César Pimentel Coité, marido de Rose Evelyn, entre seus integrantes.

Empresa divide endereço com outra beneficiada pelo Master

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é o fato de a Metanoein compartilhar endereço comercial com a Mídias Promotora, empresa que recebeu R$ 126,6 milhões do Banco Master.

As duas companhias funcionam em escritórios localizados próximos ao calçadão de Bangu, tradicional centro comercial da Zona Oeste carioca.

Além da proximidade física, ambas apresentam características societárias semelhantes. Cada uma participa de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), estrutura empresarial com menor grau de transparência e fiscalização, criada exatamente na mesma data: 28 de julho de 2021.

Empresas estão entre as maiores recebedoras de recursos

Dados encaminhados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado mostram que tanto a Metanoein quanto a Mídias Promotora figuram entre as empresas que mais receberam recursos do Banco Master.

A Mídias Promotora também foi alvo de busca e apreensão em investigações relacionadas a investimentos considerados de alto risco envolvendo o Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

O sócio-administrador da empresa, Gilson Bahia Vasconcelos, já foi citado em processo relacionado a suposto golpe contra aposentados e pensionistas do INSS. Sua defesa afirma que todas as movimentações financeiras da empresa são legais e nega irregularidades.

Até a publicação desta reportagem, Rose Evelyn Machado Coité não havia se manifestado sobre os questionamentos relacionados às investigações. A defesa do empresário Daniel Vorcaro também informou que não comentará o assunto.

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