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Eleições: 47% dos brasileiros não falam sobre voto em casa para evitar brigas

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*Por Renata Suter

Por mais incrível que possa parecer, 47% dos brasileiros deixam de comentar votos em casa para evitar conflito, enquanto 22% dos homens ainda acham aceitável insistir para que a companheira mude o voto. Um, em cada quatro homens brasileiros, acredita que mulheres são ‘mais emocionais’ e que isso pode “atrapalhar suas decisões políticas”. E outro percentual alto: 67% dos brasileiros já ouviram que “mulher não sabe votar” e 47% da população sabe que existe nas redes uma tentativa de deslegitimar e desestimular o voto feminino.

Com a participação de 1.449 brasileiros eleitores, entre 1 e 4 de setembro de 2026, a pesquisa ainda mostra que 20% dos homens se consideram mais centrados na hora de votar e apenas 23% deles ignoram falas machistas do candidato na hora de escolher em quem votar. Do lado da mulher, o cenário é outro: 80% delas levam em consideração falas machistas de candidatos.

Os dados são da pesquisa inédita realizada pela Hibou Pesquisas e Insights exclusivamente para ‘Red é de Sangue’, plataforma educacional contra a influência misógina nas redes, com apoio da HeForShe  – movimento global da ONU Mulheres que engaja homens e meninos pela igualdade de gênero -, Sindilegis, Grupo MEMOH, entre outros.

Voto da mulher ainda é assunto de casal

Número alto, 73% dos brasileiros dizem que os cônjuges não devem votar no mesmo candidato, mas só até se perceber o que sobra: 9% acham que sim, e 18% acham que “depende”. Entre os homens, 16% acham que o casal deve decidir junto em quem votar, ou seja, que o voto deixa de ser individual para virar coisa de casal.

E quando o parceiro discorda? 22% dos homens consideram aceitável tentar convencer insistentemente a parceira a mudar o voto. Mais do dobro do índice entre as mulheres, que é de 10%.

Os números anteriores convivem com um dado aparentemente contraditório: 98% dos homens afirmam que homens e mulheres têm a mesma capacidade de avaliar candidatos. O Brasil masculino diz uma coisa de primeira, mas pensa outra na realidade.

Entre as mulheres, 70% afirmam que uma mulher que expressa opinião política forte é mais chamada de “histérica”, “emocional” ou “desequilibrada” do que um homem na mesma situação. Entre os homens, apenas 28% reconhecem que isso acontece.

O mesmo padrão aparece quando se pergunta sobre conteúdo misógino nas redes: 62% das mulheres já viram posts dizendo que mulheres não deveriam votar ou são facilmente manipuláveis. Entre os homens, apenas 33% relatam ter visto esse tipo de conteúdo.

Candidato machista ainda tem voto

Apenas 23% dos eleitores homens brasileiros dizem levar em conta falas ou posições machistas do candidato na hora de votar e outros 14% dizem que “às vezes”. Ou seja, mais de um terço dos homens deixa o machismo do candidato passar, total ou parcialmente, na hora de decidir o voto.

E o que parece difícil de acreditar: 96% dos brasileiros deixariam de votar em candidato com histórico de corrupção.

“É a misoginia do voto, um conjunto de crenças enraizadas e normalizadas, que permeiam movimentos contra o voto feminino nas redes sociais, encabeçados por influenciadores ‘Red Pill’ “, afirma Ligia Mello, CSO da Hibou e Coordenadora da Pesquisa.

* Renata Suter é jornalista e coordenadora do Prêmio Colunistas Rio, Centro-Leste e Espírito Santo e editora-chefe da Janela Publicitária.

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