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Crime organizado ainda impõe barreiras e deputados relatam dificuldades para fazer campanha no Rio

Geral Do Dia 17 09 2026 Alex Ramos
Mesmo após TRE-RJ retirar locais de votação de áreas consideradas de risco, parlamentares dizem enfrentar restrições para entrar em territórios do subúrbio e da Zona Norte

No início de agosto, a Justiça Eleitoral decidiu transferir locais de votação situados em áreas sob influência do crime organizado, numa tentativa de reduzir riscos e garantir maior liberdade aos eleitores. A medida, porém, não resolveu outro problema provocado pelo controle territorial.

A pouco mais de duas semanas do primeiro turno, deputados estaduais afirmam enfrentar restrições para entrar e fazer campanha em determinadas regiões do Rio de Janeiro. O assunto ganhou espaço durante a sessão plenária da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (17).

Os deputados Sérgio Fernandes (PSD), Tia Ju (Republicanos) e Luiz Paulo (PSD) afirmaram que o domínio territorial exercido por grupos criminosos tem limitado a circulação de candidatos e equipes de campanha. O deputado Marcelo Dino (PL) também abordou as dificuldades que vem enfrentando em suas redes sociais.

A preocupação com o domínio territorial também levou o TRE-RJ a instituir neste ano um grupo de trabalho dedicado ao enfrentamento da infiltração do crime organizado e das milícias no processo eleitoral. Entre as atribuições estão justamente a identificação e a substituição de locais de votação situados em áreas de risco.

Sérgio Fernandes denuncia restrições

O primeiro a abordar o problema foi Sérgio Fernandes, que discursou para reagir aos ataques sofridos por Val Ceasa (PRD) na quarta-feira (16). O deputado afirmou que ele e integrantes de sua equipe estariam sendo impedidos de entrar em determinadas regiões da Penha e da Penha Circular, na Zona Norte.

“Eu, deputado Estadual Sérgio Fernandes, estou sendo impedido de realizar campanhas eleitorais. Existem áreas formais no subúrbio carioca, na Penha, na Penha Circular, em que eu estou sendo impedido, junto com a minha equipe, de entrar e fazer campanha. Recados claros estão sendo dados”, afirmou.

Fernandes disse que pretende levar a situação ao conhecimento das polícias Militar, Civil e Federal. O parlamentar também alegou que outros candidatos teriam acesso aos mesmos locais onde sua equipe enfrenta restrições.

“Lá tem deputados que têm livre acesso para entrar, para sair e para poder fazer campanha eleitoral. Talvez porque batam continência a chefes de organização criminosa”, declarou. O deputado não apresentou, durante o discurso, nomes ou provas que identificassem os parlamentares aos quais se referia.

Deputada relata ameaças a moradores

Presidente da sessão, Tia Ju afirmou enfrentar situação semelhante em bairros do subúrbio e da Zona Norte. Segundo ela, moradores que colocaram material de sua campanha em veículos teriam sido ameaçados e obrigados a retirar a propaganda.

“Vários carros que estavam com meu plástico, eles foram arrancados pelos moradores dessa localidade. Moradores de bem, porque as pessoas moram nas localidades e não têm culpa delas serem conflagradas pelo crime”, disse.

A deputada afirmou ainda que candidatos têm deixado de comparecer a reuniões domiciliares diante das restrições impostas em algumas localidades. “A gente não está podendo, porque tem ordem expressa, explícita, e a gente precisa preservar a vida do morador e a nossa também”, afirmou.

Tia Ju pediu providências às autoridades e ao TRE-RJ. “A democracia no Rio de Janeiro, o voto popular e livre está sendo ameaçado”, declarou.

Campanha no ‘asfalto’

Líder do PSD, Luiz Paulo afirmou que as dificuldades não são recentes e disse ter adotado como regra fazer campanha apenas no que chamou de “asfalto”, evitando entrar em áreas controladas por grupos criminosos. “Eu só faço campanha no asfalto, porque a grande imensa maioria das áreas estão ocupadas pelas facções”, declarou.

Segundo o deputado, a entrada de candidatos em determinados territórios dependeria de autorização ou da existência de vínculos locais. “E se permitir, como é que uma autoridade pede permissão, um deputado, para exercer a liberdade de ir e vir?”, questionou.

Luiz Paulo classificou o domínio territorial exercido por organizações criminosas como um dos principais desafios de segurança pública do estado e defendeu atuação coordenada entre União, estado e municípios, além do fortalecimento das investigações financeiras.

Dino cita três comunidades de Caxias

Também nesta quinta-feira, o deputado Marcelo Dino (PL), que coordena a Frente Parlamentar de Acompanhamento das Ações de Retomada dos Territórios da Alerj, usou as redes sociais para relatar dificuldades para realizar campanha em três comunidades de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense: Corte Oito, Lagoinha e Mangueirinha.

Segundo ele, facções criminosas teriam impedido sua entrada nas localidades por falta de um suposto “acerto”. O parlamentar não apresentou, na publicação, elementos que permitam verificar de forma independente as circunstâncias relatadas.

“Tenho denunciado às autoridades as dificuldades e restrições enfrentadas para exercer campanha em determinadas comunidades e cobrado providências das autoridades. Sou policial militar. Se para entrar em algum lugar eu tiver que negociar meus princípios, eu prefiro não entrar”, afirmou o deputado.

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