A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) suspendeu voos panorâmicos de 4 empresas no Rio, entre elas a VRP, envolvida na queda do helicóptero na Vista Chinesa que matou 4 pessoas.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, e o diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, anunciaram nesta terça-feira (18) medidas para voos panorâmicos no Rio e utilização do heliponto da Lagoa.
Empresas suspensas:
- VRP;
- Broad Fly;
- Nobre Turismo;
- Mr. Top Fly.
Segundo o diretor da Anac, de 9 empresas fiscalizadas, 4 foram suspensas. E entre as aeronaves, de 18 fiscalizadas, 9 foram suspensas.
“Esse é um número preocupante e altíssimo. Essas ações serão frequentes até que todas as empresas sejam fiscalizadas”, revelou Thiago Chagas.
Thiago disse ainda que vai fiscalizar todas as empresas de táxi aéreo e também as empresas de manutenção:
“Para garantir que voar de helicóptero no Rio de Janeiro e no Brasil será seguro.”
Além disso, cinco empresas estão impedidas de utilizar o heliponto da Lagoa, de acordo com a Prefeitura do Rio. São elas:
- Be Faster Serviços Aéreos
- Bal Harbour (Ból Há Bar) Holding Patrimonial Limitada
- Nobre Turismo Aéreo Limitada
- Infinity Serviços Aéreos Limitada
- E voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos, empresa responsável pelo helicóptero que caiu no dia 8 de agosto, num acidente que matou 4 pessoas.
Segundo a prefeitura, essas empresas tinham um termo de compromisso da prefeitura que permitia o pouso no heliponto, mas não autorizava as empresas para fazer voos panorâmicos.
Portanto, apenas a empresa Helisul continua podendo atuar com voos panorâmicos no heliponto da Lagoa.
Thiago Chagas Faierstein informou que 12 empresas estão autorizadas a realizar voos panorâmicos, e 46 aeronaves aptas para realizar essas atividades.
O prefeito Eduardo Cavaliere alertou que os próprios usuários podem checar se a empresa contratada tem autorização para fazer voos panorâmicos.
“Além das empresas autorizadas, a gente tem empresas que não estão autorizadas tentando fazer voos ilegais a partir de algum hangar ou algum heliponto que não têm autorização para usar. Doze não são 200, não são 500 empresas”, disse Cavaliere.
Recentemente, o Ministério Público Federal pediu que voos panorâmicos se limitassem a um corredor aéreo sobre o mar, que já existe entre a Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, e o Arpoador, na Zona Sul.
No dia 8 de agosto, aeronave caiu em uma área de mata na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, matando quatro pessoas. Ao longo desse ano, 13 pessoas morreram em acidentes com helicópteros no Rio.
Em junho, um desses acidentes causou a morte de seis pessoas, após dois helicópteros se chocarem no ar no Recreio dos Bandeirantes.
Em janeiro, um acidente terminou com 3 mortes, em Guaratiba, na Zona Oeste.
Crescimento de voos e mais helicópteros
Os dados da Associação Brasileira de Aviação Geral mostram que o Rio passou de 247 helicópteros em 2023 para 319 em 2026. São 72 aeronaves a mais, o equivalente a um crescimento de 29%.
Os dados revelam um crescimento dos voos panorâmicos na cidade. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), foram realizados cerca de 25 mil voos panorâmicos no Rio em 2025, uma média de aproximadamente 2 mil por mês ou 68 por dia.
Desrespeito à altitude mínima
Um levantamento da Aeronáutica incluído em uma investigação do MPF mostrou que 28% das aeronaves que operaram no Aeroporto de Jacarepaguá entre outubro de 2025 e abril de 2026 passaram abaixo de 500 pés, o equivalente a 150 metros. Os helicópteros representaram 65% dos casos de descumprimento.
A altitude mínima de 150 metros é exigida para que aeronaves que pousam ou decolam do Aeroporto de Jacarepaguá cruzem as avenidas das Américas e Abelardo Bueno. A regra também contribui para reduzir o impacto do ruído sobre os moradores da região.
O levantamento faz parte da investigação do MPF sobre os impactos sonoros provocados pela atividade aérea.









