Pelo menos 16 pessoas foram baleadas durante uma operação da Polícia Militar contra o Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (28). Também nesta segunda, ônibus escolares foram tomados por criminosos e usados como barricadas como represália contra a ação policial.
Até a última atualização desta reportagem, 3 homens tinham sido mortos. Outras 13 pessoas foram feridas, entre elas um jovem de 15 anos e um policial militar, baleados. Um outro adolescente, de 12 anos, foi atingido por estilhaços de uma granada que, segundo moradores, foi atirada por traficantes contra os agentes. Sete homens foram presos.
Dois dos mortos foram identificados como Marcos Vinicius Bernardo Santos e Fábio de Oliveira Ferreira. Segundo a polícia, eles atiraram contra PMs.
As vítimas foram levadas para o Hospital Federal de Bonsucesso e para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.
A Secretaria Municipal de Educação informou que 41 escolas não abriram. Por sua vez, 2 escolas estaduais ficaram fechadas. Já a Secretaria Municipal de Saúde disse 4 unidades de atenção primária suspenderam o funcionamento.
Os agentes apreenderam 12 fuzis, 8 pistolas, granadas, munição e carregadores. Os policiais militares recuperaram ainda seis veículos e apreenderam 83 quilos de drogas.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) informou que foi comunicado pela Polícia Militar, durante a madrugada, sobre a realização de operações nas comunidades da Vila do João, Baixa do Sapateiro e Timbau, na Maré.
A ação aconteceu em 4 comunidades da região, como Vila do João, Morro do Timbau e Baixa do Sapateiro, e mobilizou cerca de 200 agentes. Criminosos atearam fogo a barricadas.
De acordo com a PM, o objetivo da ação era combater a atuação de criminosos ligados ao tráfico de drogas e reprimir a circulação de armas nas comunidades.
Desde o fim da madrugada, moradores relataram momentos de medo por causa de intensos confrontos na região. De acordo com quem vive na região, os policiais entraram quando havia uma festa de São Cosme e São Damião.
Éverton Pereira, motorista da Maré, denunciou que um dos blindados chegou a arrastar um carro que estava estacionado.
“Era meia-noite, e havia muitas crianças na rua por causa de uma festa de Cosme e Damião. Não respeitaram os moradores. Entraram com o caveirão, arrastando carros. Há vídeos que comprovam a situação. Foi uma grande falta de respeito com os moradores”, disse Éverton.
A Polícia Militar não comentou as denuncias dos moradores e nem sobre a criança baleada.
A operação contou com policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e do Batalhão de Ações com Cães (BAC). Também estão sendo empregados sete veículos blindados e apoio aéreo.
“A Polícia Militar segue atuando no Complexo da Maré. Neste momento, há equipes em operação no interior das comunidades. Houve confronto no início da atuação, mas neste momento o cenário é de maior tranquilidade. Conseguimos estabilizar o terreno. O Batalhão de Ações com Cães fará uma varredura nas áreas onde houve a atuação policial”, disse o porta-voz da PM, major Maicon Pereira.
Nota da MPRJ sobre a operação na Maré
“O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) informa que, nesta segunda-feira (28/09), a partir das 01h54, foi comunicado pela Polícia Militar, por meio do Plantão de Monitoramento de Operações Policiais, sobre a realização de operações planejadas nas comunidades da Vila do João, Baixa do Sapateiro e Timbau, conforme previsto na ADPF 635.
De acordo com a comunicação recebida, as operações tinham como objetivo apurar informações de inteligência sobre a presença de integrantes de organizações criminosas envolvidos na disputa pelo controle territorial das comunidades, além de localizar e prender suspeitos de roubos de veículos e tráfico de drogas. O GAESP/MPRJ acompanha os desdobramentos das operações para assegurar a preservação das provas e a regular apuração dos fatos.
O Grupo solicitou o envio imediato dos registros de ocorrência para viabilizar a expedição de ofício à Ouvidoria-Geral da Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM), com o objetivo de preservar as gravações das câmeras operacionais portáteis utilizadas pelos policiais.
Após as diligências preliminares, os fatos serão encaminhados ao promotor de Justiça natural, responsável pelo acompanhamento e aprofundamento das investigações.”








