Banner Reservado Tripa

Rio é o primeiro estado do país a ter “Lei Víni Jr.” de combate ao racismo dentro dos estádios

Racismo No Futebol
As medidas foram impulsionadas pela repercussão global dos ataques sofridos pelo atacante Vinícius Júnior na Europa. Símbolo do enfrentamento ao racismo no esporte, o jogador recebeu da Alerj a Medalha Tiradentes, maior honraria do parlamento fluminense.

A repercussão da chamada “Lei Vini Jr.”, regra aplicada pela segunda vez na Copa do Mundo de 2026 após a expulsão do zagueiro equatoriano Piero Hincapié, na derrota de sua seleção para o México, reacende no Brasil uma discussão que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) já transformou em legislação. O Parlamento fluminense foi a primeira casa legislativa do país a aprovar uma lei de combate ao racismo dentro dos estádios, também batizada de “Lei Vini Jr.” em referência ao atacante da Seleção Brasileira e do Real Madrid.

A Política Estadual Vini Jr. de Combate ao Racismo nos Estádios e Arenas Esportivas, instituída pela Lei 10.053/2023, estabelece protocolo próprio para casos de manifestação racista durante partidas no Rio de Janeiro. A norma prevê a interrupção do jogo sempre que houver denúncia ou episódios de racismo, pelo tempo que o organizador do evento ou o delegado da partida considerar necessário, e permite o encerramento da partida em casos de reincidência ou de manifestações coletivas. Os casos deverão ser encaminhados à Comissão de Combate às Discriminações da Alerj e à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). A lei também torna obrigatória a divulgação de campanhas educativas nos intervalos das partidas.

Unnamed – 2026 07 05t094731.356

foto: Erick Quintanilha/Alerj

Apesar do apelido em comum, o protocolo aplicado na Copa do Mundo é diferente da lei fluminense. Na regra da Fifa e da International Football Association Board (Ifab), o jogador flagrado cobrindo a boca durante uma discussão em campo poderá ser expulso. A medida é em referência a outro caso de ofensa contra o brasileiro, proferida pelo argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, em jogo da Liga dos Campeões da Europa. Já a legislação da Alerj atua sobre a partida como um todo, com foco na interrupção do jogo e no encaminhamento institucional de denúncias, sem prever punição direta a atletas.

As medidas foram impulsionadas pela repercussão global dos ataques sofridos pelo atacante Vinícius Júnior na Europa. Símbolo do enfrentamento ao racismo no esporte, o jogador recebeu da Alerj a Medalha Tiradentes, maior honraria do parlamento fluminense.

Memória histórica

Outra proposta criada pela Alerj é a Lei 10.052/2023, que institui o Dia da Resposta Histórica Contra o Racismo no Futebol, celebrado anualmente em 7 de abril. A data faz referência a um dos episódios mais emblemáticos da história do futebol brasileiro: em 7 de abril de 1924, o Clube de Regatas Vasco da Gama teve sua filiação recusada pela Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA), que condicionava sua aceitação ao afastamento de 12 atletas negros e operários, sob alegações discriminatórias. O episódio se tornou um marco da resistência contra o racismo estrutural no esporte e simboliza a luta por igualdade e inclusão no futebol brasileiro.

Dados nacionais reforçam urgência de medidas de combate à discriminação

O avanço dos casos de racismo no futebol, dentro e fora dos estádios, reforça a necessidade de medidas mais rígidas de enfrentamento. Em 2026, o cenário ganhou novos contornos com o crescimento das denúncias no ambiente digital. Durante o Mundial de Seleções, a Fifa registrou um aumento expressivo de ataques racistas nas redes sociais, com 11% de todas as mensagens ofensivas direcionadas a jogadores contendo teor discriminatório, evidenciando que o racismo no futebol ultrapassou as arquibancadas e passou a ocupar também o ambiente virtual.

No recorte por estados, São Paulo aparece na liderança em números absolutos, com 23 registros no último levantamento; seguido por Minas Gerais, com 12 casos; e Rio Grande do Sul, com seis. No entanto, quando analisada a incidência histórica proporcional, o cenário muda: o Rio Grande do Sul lidera com 23,4% dos casos acumulados; seguido pelo Paraná, com 18,45%; Minas Gerais, com 18,12%; Santa Catarina, com 13,1%; São Paulo, com 9,3%; e Rio de Janeiro, com 8,6%

Compartilhe
Categorias
Veja também
Publicidade