Dezesseis servidores exonerados pelo desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio, foram nomeados assessores de deputados estaduais da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) após serem dispensados de órgãos estaduais, segundo levantamento do portal UOL.
Couto completa três meses no cargo nesta terça (23).
O que aconteceu
Nomeação de exonerados não configura irregularidade, mas chama a atenção. O Governo do Rio atribui as demissões a “auditoria na gestão das secretarias de Estado e das entidades integrantes da administração indireta estadual” e a uma “profunda reestruturação” conduzida pela Secretaria de Estado de Fazenda.
Presidente da Alerj nomeou para gabinete dois funcionários de confiança que o acompanharam na passagem pela Secretaria de Estado das Cidades. Douglas Ruas (PL) comandou a pasta até 20 de março. Exonerados em 7 de abril, uma assessora e um motorista passaram a bater ponto no gabinete do deputado dois dias depois.
“Os profissionais mencionados já integravam sua equipe desde 2023, quando atuavam na Assembleia Legislativa. Em seguida, acompanharam o parlamentar em sua gestão à frente da Secretaria de Estado das Cidades. Em 2026, com o retorno de Douglas Ruas à Alerj e sua eleição para a presidência da Casa, os servidores passaram a compor novamente sua equipe no Legislativo”, disse Douglas Ruas (PL-RJ), deputado estadual e presidente da Alerj, em nota ao UOL.
Ex-secretário de turismo, Gustavo Tutuca (PP-RJ) trouxe nove assessores da secretaria para o gabinete. Tutuca comandou a pasta até 19 de março e as nomeações na Alerj aconteceram entre abril e maio. “Não há qualquer relação entre essas movimentações e o processo de auditoria mencionado pelo Palácio Guanabara”, afirma ele.
“As pessoas mencionadas compõem, há alguns anos, a equipe de confiança do deputado Gustavo Tutuca. Trata-se do staff mais próximo dele: chefia de gabinete, assessoria jurídica e de comunicação, secretária e apoio direto. Esse grupo acompanhou o deputado durante sua gestão na Secretaria de Estado de Turismo. Com o retorno dele ao mandato na Assembleia Legislativa, em março deste ano, a equipe naturalmente o acompanhou de volta à Alerj”, afirmou Gustavo Tutuca (PP-RJ), deputado estadual, em nota ao UOL.
Outros cinco deputados nomearam servidores anteriormente exonerados. Bruno Dauaire (União), Dionísio Lins (PP), Filipe Soares (PL), Rodrigo Amorim (PL) e Sarah Pôncio (Solidariedade) alegam diferentes motivos para as nomeações (leia no fim do texto).
Quase 4.500 exonerações
Da posse até sexta (19), Couto ordenou 4.470 demissões em 72 órgãos. Dentre as secretarias, a de Casa Civil foi a mais afetada, com 1.190 dispensas, segundo dados compilados pelo UOL. Também chama a atenção o número de exonerações nas secretarias de Governo (496), Ambiente e Sustentabilidade (380) e Detran (320).
Na Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade, novo chefe afirmou ter exonerado, pelo menos, 82 funcionários fantasmas. Em entrevista ao telejornal RJ2 na última terça (16), Rodrigo Mascarenhas disse que situação foi verificada logo no seu primeiro dia à frente da pasta, quando as demissões foram determinadas. Procurado pelo UOL, o governo do Rio não retornou os contatos. O espaço segue aberto.
Reestruturação vai além das exonerações. Só no último mês, Couto anunciou ajustes na Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão e mudou as regras para que órgãos estaduais façam investimentos. Na sexta (19), ele anunciou uma auditoria a ser realizada em todos os entes fluminenses nos próximos 120 dias.
Couto assumiu governo após renúncia de Cláudio Castro (PL). O ex-governador deixou o cargo em 23 de março. Como Castro havia indicado seu vice ao Tribunal de Contas e o presidente eleito da Alerj estava afastado do posto à época, coube ao presidente do Tribunal de Justiça assumir o comando do estado.
Desembargador segue como governador enquanto STF decide sobre eleição para mandato-tampão. Castro renunciou na véspera de ser condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico. Sua renúncia justificaria eleição indireta para um mandato que duraria até o começo de 2027, mas o PSD alegou que houve manobra e acionou a Justiça para pedir eleição direta. Agora, o Supremo Tribunal Federal analisa o caso.
O que dizem os envolvidos
” O servidor mencionado é graduando em Economia e possui experiência prévia na área de finanças. Sua atuação na Secretaria de Estado de Habitação ocorreu por cerca de três meses e, com o retorno do deputado Bruno Dauaire ao exercício do mandato na Alerj, o profissional passou a integrar a equipe do gabinete para auxiliar os trabalhos desenvolvidos pelo parlamentar junto à Comissão de Orçamento da Casa. Não há qualquer irregularidade em sua designação. Ao contrário, a nomeação observou integralmente todos os requisitos legais e administrativos aplicáveis”, disse Bruno Dauaire (União-RJ), deputado estadual.
” As duas servidoras nomeadas são pessoas conhecidas e moradoras do bairro onde o Dionísio reside. Ao saber que elas não faziam mais parte de suas respectivas secretarias de origem — onde, diga-se de passagem, cumpriam suas funções — o deputado Dionísio Lins convidou-as a integrar o grupo. Não há nada que desabone as contratações. Até porque, para ingressar nos quadros da Alerj, é necessária a apresentação de certidão negativa”, afirma Dionísio Lins (PP-RJ), deputado estadual.
“A nomeação mencionada integra a rotina administrativa do meu gabinete, sendo ato legítimo, pautado na confiança e na qualificação profissional para o exercício da função. A composição da minha equipe observa critérios internos de natureza técnica e funcional, no exercício da autonomia do mandato parlamentar” – Filipe Soares (PL-RJ), deputado estadual.
“A nomeação atende aos critérios estritamente técnicos, coadunando-se com o perfil do meu mandato, além de ser cristão. A experiência prévia do servidor na administração pública estadual é um ativo que soma ao meu mandato” – Rodrigo Amorim (PL-RJ), deputado estadual.
“A assessora já integrou anteriormente a equipe da deputada Sarah Poncio e, após deixar a função que exercia no Poder Executivo, retornou ao gabinete parlamentar. Ela possui experiência na administração pública e conhecimento das atividades legislativas e institucionais desenvolvidas pelo mandato, fatores que fundamentaram sua nomeação. Sua escolha decorre da confiança profissional construída durante sua atuação anterior na equipe e da qualificação demonstrada no exercício de suas funções” – Sarah Pôncio (Solidariedade), deputada estadual.
Com informações do portal UOL








