O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11), em Brasília, que os Estados Unidos utilizam argumentos falsos para justificar a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), vinculado à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), onde foram apresentados novos dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontando redução significativa do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.
Ao comentar os números divulgados durante o evento, Lula afirmou que os dados serão utilizados pelo governo brasileiro para contestar as justificativas apresentadas por Washington para o endurecimento das medidas comerciais contra o Brasil.
Segundo o presidente, as informações produzidas pelo Inpe demonstram que o país vem avançando no combate ao desmatamento, contrariando argumentos utilizados pelas autoridades estadunidenses.
“Isso é importante porque vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão do Comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior, e vamos comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos Estados Unidos”, afirmou.
Críticas às justificativas comerciais dos Estados Unidos
Durante o discurso, Lula sustentou que essa não seria a primeira vez que os Estados Unidos utilizam argumentos que, segundo ele, não correspondem aos fatos para justificar medidas tarifárias contra o Brasil.
O presidente relembrou disputas comerciais recentes e afirmou que o governo brasileiro já contestou alegações estadunidenses sobre a balança comercial entre os dois países.
“Eles mentiram da primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinham déficit comercial. Nós provamos que eles tiveram superávit muito alto: em 15 anos, US$ 417 bilhões”, declarou.
Na avaliação do chefe do Executivo, a questão ambiental passou a ser utilizada como novo elemento de pressão nas relações comerciais entre os dois países.
“E agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento. Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, disse.
Meta de desmatamento zero até 2030
Lula ressaltou que o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030 não decorre de exigências internacionais, mas de uma decisão adotada pelo próprio governo brasileiro.
Segundo ele, a meta integra uma estratégia nacional de preservação ambiental e de contribuição para o enfrentamento das mudanças climáticas globais.
“Isso não é uma decisão de nenhuma COP, da ONU. É uma decisão do nosso governo. É por uma questão de justiça e de participação do Brasil como uma ajuda ao planeta Terra, de cumprir com a nossa obrigação de tentar evitar o desmatamento ao máximo”, afirmou.
A declaração foi feita em meio aos preparativos do Brasil para sediar importantes debates internacionais sobre meio ambiente e clima nos próximos anos, incluindo eventos ligados às negociações climáticas globais.
Parceria com estados e municípios
Ao apresentar as ações que contribuíram para a redução do desmatamento, Lula destacou o papel da articulação entre o governo federal, os estados, os municípios e os órgãos de fiscalização ambiental.
O presidente atribuiu parte dos resultados a uma estratégia baseada na cooperação entre diferentes níveis da administração pública, em vez de uma atuação exclusivamente centralizada.
Ele citou, inclusive, uma orientação frequentemente defendida pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
“Uma frase que a companheira Marina dizia para mim sempre, que o nosso objetivo não é proibir as pessoas de fazerem as coisas; é discutir como fazer as coisas bem feitas nesse país”, disse Lula.
Segundo o presidente, uma mudança de postura em relação aos municípios amazônicos ajudou a ampliar o alcance das políticas ambientais.
“Foi feita uma reunião com todos os prefeitos e decidimos colocar os prefeitos em pé de igualdade do ministro do Meio Ambiente na responsabilidade de cuidar do desmatamento, e oferecer ajuda financeira para que os prefeitos tivessem condições de fazer o trabalho que a gente acha que eles deveriam fazer”, afirmou.
Fortalecimento da fiscalização
Lula também destacou o reforço da estrutura dos órgãos ambientais como um dos fatores que contribuíram para os resultados apresentados pelo Inpe.
Entre as medidas adotadas pelo governo, ele citou o fortalecimento institucional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além da contratação de pessoal e da preparação para enfrentar fenômenos climáticos extremos.
“O resultado é extraordinariamente positivo, numa demonstração de que se a gente reunir a boa vontade do governo federal, dos governos estaduais e dos prefeitos, mais o aparelhamento das instituições, ICMBio e Ibama, se a gente contratar as pessoas corretas, se a gente se preparar para fazer prevenções — como estamos nos preparando para enfrentar o El Niño — a gente pode ter um efeito muito positivo”, declarou.
Preservação gera benefícios coletivos
Ao encerrar sua fala, o presidente defendeu que a proteção ambiental produz benefícios econômicos e sociais mais amplos do que a exploração predatória dos recursos naturais.
Segundo Lula, embora o desmatamento possa gerar ganhos para grupos específicos, seus efeitos negativos recaem sobre toda a sociedade.
“Provando que o não desmatamento é mais lucrativo do que o desmatamento. O desmatamento pode ajudar uma pessoa a ficar rica, até duas pessoas. Mas o não desmatamento ajuda o Brasil, a Amazônia e o mundo”, afirmou.
O presidente também argumentou que prevenir a destruição ambiental é mais eficiente e menos custoso do que lidar posteriormente com suas consequências.
“É muito mais barato a gente trabalhar para evitar o desmatamento do que entender que, pela ganância econômica e financeira de um grupo, a gente tem que permitir o








