A expressão “Olhar para o próprio umbigo” caiu como uma luva para a Unidos de Viradouro, terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval (16 de fevereiro). A agremiação levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Pra cima, Ciça!”, que homenageia Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, diretor de bateria da escola, um dos maiores sambistas e mestres de bateria do Rio de Janeiro. A escola busca o seu quarto título no Grupo Especial, pois foi campeã em 1997, 2020 e 2024. O carnavalesco é Tarcísio Zanon.
Com passagens por escolas tradicionais, além da Viradouro, onde é mestre de bateria, Ciça já passou pela Estácio de Sá (1988-1997), Unidos da Tijuca (1998), Grande Rio (2010-2014) e União da Ilha (2015-2018), Ciça está em sua segunda passagem pela agremiação de São Gonçalo, onde reinou à frente da bateria 1999 a 2009 e, agora, na sua segunda passagem, desde 2019.
Setenta anos de vida, 55 de carnaval

“A Unidos do Viradouro, ao completar 80 anos de fundação em 2026, ouve o próprio pulsar da bateria e celebra uma personalidade vital nessa trajetória: o sambista Moacyr da Silva Pinto, artista do nosso Carnaval. Ao completar 70 anos de vida e 55 anos do seu primeiro desfile, Mestre Ciça cruzará a Sapucaí em pleno ofício. Fluente na língua do tambor, agora é a vez de escrever sua epopeia na melodia de um novo samba de enredo. É a Furacão Vermelho e Branco se olhando no espelho e dizendo… PRA CIMA, CIÇA! OS TAMBORES DE 2026 VÃO RUFAR PRA VOCÊ!”, diz um trecho do enredo.
‘Paradinhas’ fizeram sucesso na Sapucaí

De acordo com o enredo, Ciça estreou como o “Rei dos Naipes” em 1989 pela Estácio de Sá. Com o enredo “Um Dois, Feijão com Arroz”, Ciça foi mostrando o seu talento. O mestre ficou famoso pelas famosas “paradinhas” com a bateria na Marquês de Sapucaí.
Primeira passagem na Viradouro durou 10 anos

Nascido em 20 de julho de 1996, Ciça começou sua trajetória na Estácio de Sá, onde ficou de 1988 a 1997. No ano seguinte comandou a bateria da Unidos da Tijuca, indo em seguida, em 1999, para a Viradouro, cuja primeira passagem se estendeu até 2009. Em 2007, ele ficou conhecido quando a bateria desfilou até o recuo em cima de um carro alegórico.
Na Grande Rio, em 2010, inovou com paradinha mais longa na Sapucaí. Em 2015, Ciça assumiu a bateria da União da Ilha e garantiu nota máxima de 2016 a 2018. Em 2017, a Ilha conquistou o Estandarte de Ouro. Em 2019, o mestre voltou para a Viradouro e conquistou os campeonatos de 2020 e 2024.
Técnico de segurança em trabalho da escola assina o samba

O samba da Viradouro deste ano foi composto por 11 autores, sendo um deles Alessandro Garcia, conhecido como Sandrinho, que exerce dupla função na escola de Niterói. Além de compositor, ele é técnico de segurança em trabalho e visitou diariamente no barracão da agremiação checando todos os detalhes.
Durante as eliminatórias, Sandrinho se mostrava descontraído no palco com o seus parceiros, jeito que contratas com a seriedade de quando está como técnico do trabalho checando o barracão para que todo o trabalho de produção de alegorias e fantasias seja feito com segurança. Sandrinho já disputou samba também em 2022 e 2023. Este ano é a segunda vez que chegou à final. Morador do Barreto, Sandrinho tem 53 anos e frequenta a Viradouro há 35.
Além de Sandrinho, o samba da Viradouro é assinado por Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet e Thiago Meiners.
ENREDO: “Pra cima, Ciça!”,
CARNAVALESCO: TARCÍSIO ZANON
COMPOSITORES: Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet e Thiago Meiners.
Eu vi, a vida pulsar como fosse canção
Milhões de compassos pra eternizar
Em cada batida do meu coração
O som que reflete o seu batucar
Lá, onde o samba fez berço, do alto do morro
Um menino orgulha Ismael, bicho novo
Forjado nas garras do velho leão
Contam no largo do Estácio
O destino em seu passo
Que fez pouco a pouco uma chama acender
Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger
Quando o apito ressoa parece magia
Num trem caipira, no olhar da baiana
Medalha de ouro, suingue perfeito
Que marca no peito da escola de samba
Se a vida é um enredo desfilou outros amores
Maestro fez do couro sinfonia
Na ousadia dos seus tambores
Peça perfeita pra me completar
Feiticeiro das evocações
Atabaque mandou te chamar
Pra macumba jogar poeira
Firma a caixa pra resistir, o nome de Moacyr
É legado do mestre Caveira
Sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você
Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender
E hoje aos teus pés
Somos todos um nessa avenida
Num furacão que nunca vai ter fim
Nossa história não encontra despedida
Se eu for morrer de amor que seja no samba
Sou Viradouro, onde a arte o consagrou
Não esperamos a saudade pra cantar
Do mestre dos mestres herdei o tambor








