Rio reduz em 18% as mortes por aids e acompanha queda nacional histórica

Avanços incluem ampliação da testagem, novos tratamentos no SUS e eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública

Rio de Janeiro registrou uma queda expressiva nas mortes por aids entre 2023 e 2024. O número passou de 1.263 para 1.040 óbitos, redução de 17,7%, acompanhando a tendência nacional de retração. No país, os óbitos diminuíram de mais de 10 mil para 9,1 mil, o menor volume em três décadas, segundo o novo Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde.

Os resultados são atribuídos ao fortalecimento das ações de prevenção, ao diagnóstico mais ágil e ao uso de terapias modernas distribuídas gratuitamente pelo SUS, capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível. A combinação de medidas também permitiu a eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública, quando ocorre da mãe para o bebê.

“Hoje é um dia de luta, mas também de conquista histórica: alcançamos o menor número de mortes por aids em 32 anos. Esse resultado só foi possível porque o SUS oferece gratuitamente as tecnologias mais modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento. Os avanços também permitiram ao país alcançar as metas de eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública”, afirmou Alexandre Padilha, ministro da Saúde.

No mesmo período, o Brasil registrou uma leve queda nos casos de aids, de 37,5 mil para 36,9 mil. Em 2024, o Rio de Janeiro contabilizou 3.822 diagnósticos. No recorte materno-infantil, o país apresentou redução de gestantes com HIV (7,9%) e de crianças expostas ao vírus (4,2%). O início tardio da profilaxia neonatal caiu 54%, reflexo de melhorias no pré-natal e na assistência oferecida nas maternidades.

A eliminação da transmissão vertical foi confirmada com a manutenção de índices abaixo dos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS): taxa de transmissão em menos de 2% e incidência inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos. O país também alcançou mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem e oferta de tratamento para gestantes que vivem com o vírus. Em 2024, o Brasil somou 68,4 mil pessoas vivendo com HIV ou aids; no Rio, foram 7.627 registros.

A política de Prevenção Combinada, que reúne diferentes estratégias para reduzir o risco de infecção, também avançou. Além da distribuição de preservativos, ampliou-se o uso da PrEP e da PEP, o que tem sido fundamental para dialogar com o público jovem – grupo que registra queda no uso de preservativos. Para reforçar essa abordagem, o Ministério da Saúde lançou camisinhas texturizadas e sensitivas, adquirindo 190 milhões de unidades de cada modelo.

O acesso à PrEP cresceu mais de 150% desde 2023 e hoje 140 mil pessoas utilizam o método. No diagnóstico, houve expansão da oferta de exames com a compra de 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis e de 780 mil autotestes.

SUS mantém tratamento gratuito para todas as pessoas diagnosticadas. Mais de 225 mil utilizam o comprimido único de lamivudina e dolutegravir, esquema que melhora a adesão e reduz riscos de efeitos adversos. Esses avanços aproximam o país das metas globais 95-95-95, duas delas já cumpridas.

Para fortalecer a participação social na resposta ao HIV, o Ministério da Saúde lançou editais que somam R$ 9 milhões para organizações da sociedade civil. A pasta também ampliou o número de comissões consultivas e criou um comitê interministerial voltado à eliminação de infecções e doenças determinadas socialmente, com foco especial na transmissão vertical e na aids.

Compartilhe
Categorias
Publicidade

Veja também