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Vorcaro bancou suítes em hotel de Lisboa para Hugo Motta e Ciro Nogueira, diz PF

Vorcaro e Ciro Nogueira nos alpes franceses.

. Presidente do PP, Ciro já foi alvo de operação da polícia relacionada ao dono do Banco Master

. Deputado diz não ver problema em ter hospedagens pagas por ex-banqueiro, e senador não se manifestou

O dono do Banco MasterDaniel Vorcaro, bancou a hospedagem do presidente da Câmara dos DeputadosHugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Lisboa, no fim de junho de 2024, e pediu a um auxiliar reforço na privacidade dos hóspedes, de acordo com análise de material apreendido pela Polícia Federal.

À época, aconteceriam eventos na capital portuguesa como o Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, por ser capitaneado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. No dia 18 de junho, Vorcaro informou a um auxiliar que precisaria de reservas em Lisboa do dia 24 ao dia 30, para ele próprio e também mais dois quartos para “Ciro e Hugo”.

Os gastos aparecem em relatório da investigação da Polícia Federal tornado público pelo relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro André Mendonça, nesta terça-feira (16).

Os detalhes surgem pouco mais de um mês após a operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Master, ter o senador como alvo. Entre as principais suspeitas da PF estão a de que Ciro, que foi ministro da Casa Civil na gestão Jair Bolsonaro (PL), recebia quantias de até R$ 500 mil repassadas por Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro, mantido preso nesta terça por decisão do STF.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) – Pedro Ladeira – 5.mai.2026/Folhapress

Em entrevista a jornalistas nesta terça-feira (16), Hugo Motta disse que não vê problema em ter tido as hospedagens pagas por Vorcaro. “É um evento corporativo, um encontro jurídico que inclusive participei neste ano como presidente da Câmara, então não vejo problema algum”, afirmou.

“Os órgãos de fiscalização estão trabalhando, eu tenho tranquilidade sobre as minhas relações e defendo que as investigações possam acontecer”, acrescentou.

Procurado por meio da assessoria por WhatsApp às 13h30 e no final da tarde desta terça, o senador ainda não se manifestou.

Em junho de 2024, foram reservadas cinco diárias em uma suíte júnior do hotel Four Seasons Ritz Lisboa. O valor total da hospedagem de cada parlamentar foi de aproximadamente R$ 91,3 mil na cotação da data, resultando em um custo diário aproximado de R$ 18 mil.

Ao assistente, Vorcaro demonstrou, segundo a PF, “acentuada preocupação com a privacidade do evento, ressaltando, inclusive, a necessidade de privatização do espaço localizado em frente ao local, a fim de impedir qualquer visualização do que ocorresse em seu interior”.

“Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro”, disse Vorcaro, em áudio.

“Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista.”

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A PF aponta que Ciro, que é presidente do PP, recebeu ao menos R$ 6 milhões em mesadas de Vorcaro entre 2024 e 2025 e identifica outros vínculos entre o senador e o ex-banqueiro, como o pagamento de diárias em hotéis de luxo em Nova York e na Europa, viagens em conjunto e possíveis pagamentos de R$ 350 mil feitos também em dinheiro vivo.

Além disso, o banqueiro se referia ao parlamentar como amigo em mensagen

Segundo a autoridade, apenas os benefícios econômicos diretos relacionados às viagens internacionais do senador somariam R$ 468,7 mil, sem considerar voos em jatos particulares usados nos deslocamentos.

Por exemplo, em abril de 2024, de acordo com a PF, Ciro esteve em Paris e jantou no restaurante italiano Gigi. A conta registrada em 13 de abril foi de US$ 1.981,12, cerca de R$ 10,2 mil na cotação da época.

Mensagens analisadas pela corporação indicam que Vorcaro teria orientado expressamente que o senador não arcasse com a despesa: “Não vai deixar eles pagarem, ok?”.

No mês seguinte, Ciro participou do Lide Brazil Investment Forum, em Nova York. A investigação aponta que ele ficou hospedado por seis noites no Park Hyatt New York, em uma Suíte Royal. O custo total da hospedagem chegou a US$ 47.779,80, equivalente a cerca de R$ 245 mil na cotação do período.

A PF também identificou uma degustação privada de uísque e charutos no Carnegie Club, para cerca de 15 convidados. O evento custou US$ 1,02 milhão (aproximadamente R$ 5,25 milhões), embora a investigação não detalhe qual parcela do valor seria atribuída especificamente ao senador.

Em janeiro de 2025, a PF identificou gastos relacionados a uma viagem a Courchevel, estação de esqui de luxo nos Alpes franceses. Entre as despesas registradas nos documentos da PF estão R$ 63,6 mil no restaurante La Soucoupe e R$ 58,5 mil no Le Tremplin.

Os investigadores também encontraram registros de compras feitas com cartões de Vorcaro na região que somam R$ 1,85 milhão, incluindo gastos na marca italiana Loro Piana. A perícia, contudo, afirma que ainda apura se todo esse montante foi destinado exclusivamente ao senador.

Para os pagamentos em dinheiro vivo, segundo a PF, a ordem foi dada por Vorcaro ao seu cunhado, Fabiano Zettel, operador do escândalo financeiro e ex-pastor evangélico da Igreja Lagoinha.

Segundo a PF, esse último item indica um pagamento a um “indivíduo identificado pelo nome ‘Ciro’ […] a ser realizado em espécie”.

Em maio, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços de Ciro em uma fase da Operação Compliance Zero. De acordo com as investigações, além das mesadas haveria o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens de jatinho.

Felipe Vorcaro, primo do dono do Master, teria feito uma parceria “ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil”.

À época da operação, Ciro negou ter cometido qualquer irregularidade.

*com informações da Folha e São Paulo.

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