Viradouro canta alto e declara:  ‘Carnaval te amo…na vida és tudo pra mim’

abril 15, 2022 /

A escola de Niterói irá abordar o carnaval realizado logo após o final da pandemia da gripe espanhola

Clebio Luiz

Atual campeã do carnaval carioca (último desfile foi em 2020), a Unidos da Viradouro levará para a Sapucaí este ano o enredo “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”, dos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon. Com quatro títulos, a tradicional escola de Niterói só foi aprovada em 1986 para desfilar na Capital pelo grupo 2B. O enredo de 2022 aborda um carnaval feito logo após a pandemia da gripe espanhola, que aconteceu entre 1918 e 1919, atingindo todos os continentes e matando cerca de 50 milhões de pessoas. Este ano a agremiação vem com um refrão forte: “Carnaval te amo…na vida és tudo pra mim…”

A Viradouro tem dois títulos no grupo especial e costuma fazer desfiles empolgantes

Oriunda de Niterói, a Viradouro conquistou dois títulos no grupo especial, sendo o primeiro em 1997, com o enredo “Trevas! Luz ! A explosão do Universo!” (Dominguinhos do Estácio, Mocotó, Flavinho Machado e Heraldo Faria), do carnavalesco Joãosinho Trinta.

A escola desfilou de 1949 até 1985 em Niterói, onde conquistou 18 títulos. Em 1986 estreou no carnaval do Rio no grupo 2B com o enredo “Novos ventos, novos tempos – história de uma integração”, dos carnavalescos Yarema Ostrog, Hilda Perna e Adriano Jorge.  A Viradouro venceu os carnavais de 1989 (grupo 2) 1990 (grupo A) e estreou no grupo especial em 1991 com o enredo “Bravo, bravíssimo! – Dercy Gonçalves, o retrato de um povo”, do carnavalesco Max Lopes, e ficou em 7º lugar.

Atual campeã do carnaval, a Viradouro entra na Sapucaí cercada de curiosidade sobre como será a sua apresentação

 

Sambista saiu do bloco para fundar a escola

Fundada em 1946, a Viradouro disputou os desfiles de Niterói por 39 anos (1947-1985). Mas, neste período, chegou a vir ao Rio duas vezes, em 1964 e 1965, mas ficou em 26º lugar nos desfiles da terceira divisão.

Partiu de Nelson dos Santos, o Nelson Jangada, a ideia de fundar a escola de samba, no bairro Viradouro. O sambista promovia rodas de samba e batucada no quintal de sua casa. Jangada costumava frequentar o bloco União do Viradouro. Depois de se desentender com dirigentes da agremiação, Jangada resolveu se desligar para fundar uma escola de samba. Ele reuniu amigos e foliões da região, além de jogadores e torcedores de um time de futebol da localidade.

A Viradouro foi fundada por Nelson Jangada, Nelson Braga, Roque Soares, Paulo Braga, Juci, Ataíde, Ercília Guedes, Maria Ana, Oto Braga, Telinho, Lindolfo dos Santos, Otacílio Nascimento e Ito Machado Guedes, entre outros participantes

Títulos da Viradouro nos grupos de acesso e especial

1989 – Grupo 3 – “Mercadores e mascates”. Compositores: Gilberto, Mário, Odar, Nulo, Charuto, Carlos, Delfim e Japona. Carnavalesco: Rodney Lucas

1990 – Grupo A – “Só vale o escrito”. Compositores: Adir, Odir Sereno, Gelson e Gilberto Barros. Carnavalesco: Max Lopes

1997 – Grupo especial – “Trevas! Luz ! A explosão do Universo!” . Compositores: Dominguinhos do Estácio, Mocotó, Flavinho Machado e Heraldo Faria. Carnavalesco: Joãosinho Trinta.

2014 – Grupo A – “Sou a Terra de Ismael, ‘Guanabaran’ eu vou cruzar…pra você eu tiro o chapéu, Rio eu vim te amar”. Compositores: Dudu Nobre, Diego Tavares, Zé Glória, Paulo Oliveira, Dilson Marimba, Junior Fragga, D.Oliveira, Arlindo Neto, LC e William Neves. Carnavalesco: João Vitor Araújo.

2018 – Grupo A – “Vira a cabeça, pira o coração – Loucos gênios da criação”. Compositores: Zé Glória, Lucas Macedo, William Lima, Gugu Psi, Lico Monteiro, Lucas Neves e Matheus Gaúcho. Carnavalesco: Edson Pereira.

2020 – Grupo especial – “Viradouro de alma lavada”. Compositores: Cláudio Russo, Paulo César Feital, Diego Nicolau, Júlio Alves, Dadinho, Rildo Seixas, Manolo, Anderson Lemos e Carlinhos Fionda. Carnavalescos: Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon.

Rebaixamentos: no grupo especial, a Viradouro amargou dois rebaixamentos. O primeiro, em 2010, quando ficou em 12º lugar, com o enredo “México, o paraíso das cores, sob o signo do sol”, e em 2015. Também em 12º lugar, com o tema “Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graça”

Fotos: Liesa/divulgação

 

 

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.

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