Vicente Loureiro destaca, em artigo, os desafios das novas funções da Dutra no trecho da Baixada Fluminense

dezembro 16, 2019 /

*Vicente Loureiro

 

O futuro do presente da Via Dutra

Inicial e primordialmente sua função era ligar as duas maiores cidades do Brasil. E de modo complementar, mas não menos importante, fazer a conexão do sul com o restante do país. Por estes motivos foi concebida e assim funcionou por algumas décadas.

Porém, o tempo impôs mudanças nos modos de usar a rodovia mais importante do país. As expansões metropolitanas de São Paulo e Rio transformaram quase um quarto de extensão em corredores  viários de uso intenso. Além de um aumento significativo de outros motivos de deslocamentos intra regionais, tanto no Vale do Paraiba Paulista, quanto Fluminense,  emprestando a ela, outras, e quantitativamente falando, novas e majoritárias funções.

As diferenças entre as formas  de uso da rodovia impressionam.   No trecho, por exemplo, em que atravessa a Baixada Fluminense trafegam por dia cerca de 120 mil veículos e já no primeiro pedágio, em Seropédica, são registrados apenas 20 mil. Fenômeno equivalente e ainda maior sucede nas cercanias de São Paulo. A quantidade de veículos transitando entre cidades do Vale do Paraíba também tem aumentado, apesar de toda a crise.

Daqui a pouco mais de um ano termina o atual contrato de concessão da rodovia. Especula-se até no fracionamento da Dutra, com o objetivo de incorporar outras estradas federais ainda não concedidas.  Imaginam os órgãos do Governo Federal envolvidos nesses estudos, viabilizarem  assim as futuras concessões. Independentemente desses estudos o que não se pode deixar de incorporar ao novo edital de concessão são os desafios de gestão impostos por essas novas funções adquiridas pela rodovia ao longo dos últimos anos.

Há que considerar,no entanto, que não se pode mirar o futuro como se o presente não pudesse ser modificado. A transformação de pouco mais de 100 km de estrada nas periferias metropolitanas de Rio – São Paulo, em verdadeiras avenidas intra regionais com uso predominantemente de automóveis, abrigando deslocamentos cotidianos casa-trabalho merece reflexão.

Será essa a função primordial a ser exercida pela rodovia no prazo de duração da nova concessão?  Ou deverá ela insistir em preservar sua função de ligação das atividades econômicas e sociais entre as duas maiores metrópoles brasileiras? Ou ainda como defendem outros reservar espaço na sua faixa de domínio nessas fraldas metropolitanas para transporte coletivo regional? Como veem, o debate se faz necessário.  Números atuais e projeções futuras de uso são importantes. Novas conexões através da integração com outras vias podem ajudar. Mas, antes de se discutir os números é preciso consagrar as funções.

O mundo urbano de escala metropolitana abraçou a Dutra. E ela terá que saber lidar com isso. Se não, continuaremos engarrafados e pagando caro por focar no presente esquecendo-se que o futuro nos reserva as oportunidades de mudar esta situação.

*Vicente de Paula Loureiro, arquiteto,urbanista, é Conselheiro da Agetransp, a agência de transportes públicos do estado do Rio de Janeiro

Foto: Thiago Loureiro

 

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.