O consórcio Nova Via Mobilidade — que administra a TrensRJ, empresa que assumiu a operação de parte da linha férrea do Rio no lugar da SuperVia — demitiu funcionários herdados da antiga companhia e encerrou o contrato com a Planner Corretora de Valores, que geria seus fundos de investimento. A corretora é investigada pela Polícia Federal por ter atuado como intermediária de investimentos do Rioprevidência, o fundo estadual dos servidores estaduais, no Banco Master, liquidado pelo Banco Central após fraudes financeiras.
A Planner administrava a Nova Via Fundo de Investimentos e a Mega Fundo de Investimentos, criadas nos dias 15 e 22 de janeiro, a poucos dias do leilão para escolher a nova gestora dos trens do Rio.
Em notam a Nova Via Mobilidade confirmou que “as atividades anteriormente executadas pela empresa serão assumidas por outra prestadora, que já está em processo de contratação, assegurando a plena continuidade dos serviços e sem qualquer impacto para os passageiros ou para a circulação dos trens”.
A Planner permanecerá no exercício de suas funções — que incluem administração de bens e patrimônio, pagamento de impostos, tesouraria, escrituração, liquidação e controladoria dos fundos — até sua efetiva substituição, a qual deverá ocorrer no prazo máximo de 180 dias.
A corretora, que já foi alvo de diversas operações da Polícia, é apontada como intermediária da venda de R$ 510 milhões em Letras Financeiras (LF) do Banco Master para o Rioprevidência. A operação foi considerada irregular em auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em novembro passado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master devido a uma crise de liquidez e indícios de irregularidades financeiras.
Cerca de cem demissões
Dois dias após assumir a operação da linha férrea do Rio, a Trens RJ demitiu maquinistas e funcionários do setor de manutenção. Segundo O GLOBO apurou, foram cerca de cem desligamentos.
A TrensRJ afirmou “que houve adequações na estrutura organizacional da empresa, que correspondem a menos de 2,5% do quadro total de colaboradores e integram uma reforma operacional para a mudança de gestão. Todas as medidas visam garantir maior eficiência operacional, otimização de processos e melhoria contínua da qualidade dos serviços oferecidos à população”.
TrensRJ no lugar da Supervia
A concessão dos trens que ligam o Rio a outros 11 municípios, transportando cerca de 300 mil passageiros por dia, ficou a cargo da SuperVia por 27 anos e seis meses. Seu último dia de operação ocorreu na sexta-feira. Em seu lugar, assumiu, no sábado, a TrensRJ, operadora criada pela permissionária Nova Via Mobilidade, consórcio de fundos de investimento vencedor da licitação realizada pelo estado em fevereiro.
Com informações do O Globo
