A tragédia que tomou conta do Cefet Maracanã, no fim da tarde desta sexta-feira (28) já provoca comoção em toda a comunidade acadêmica. A partir de informações divulgadas pelo jornal O Globo, detalhes sobre as vidas e carreiras de Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro revelam trajetórias marcadas por dedicação, mérito e forte atuação acadêmica.
Duas profissionais brilhantes mortas dentro da instituição
Allane, professora e doutora em Letras, e Layse, psicóloga e primeira colocada no concurso de 2014, foram baleadas na cabeça por um colega dentro da unidade do Maracanã, na Zona Norte do Rio. As duas chegaram a ser socorridas para o Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiram aos ferimentos. O autor dos disparos, identificado como João Antônio Miranda Tello Ramos, tirou a própria vida logo após o ataque.
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 15h50, e as aulas do turno da noite foram imediatamente suspensas. A direção da instituição decretou luto oficial de cinco dias a partir de 1º de dezembro.
A trajetória de Allane: doutora, pesquisadora e artista
Formada em Pedagogia pela UFRJ e doutora em Letras pela PUC-Rio, Allane desenvolveu parte de sua pesquisa na University of Copenhagen, na Dinamarca, como professora convidada — experiência financiada pela Capes. No Cefet, atuava na coordenação pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino, integrando diversas comissões essenciais para a estrutura educacional da unidade.
Fora das salas de aula, Allane também era cantora, compositora e pandeirista. Publicava vídeos de suas apresentações e, na manhã da tragédia, havia postado um story cantando Caetano Veloso.
Layse: destaque em concurso e referência na Psicologia Escolar
Primeira colocada no concurso para psicóloga do Cefet em 2014, Layse Costa Pinheiro formou-se pela Uerj e atuou tanto na área de Gestão de Pessoas quanto na Psicologia Escolar. Era apaixonada por música e dança de salão, como revelava em suas redes sociais. Layse havia iniciado um mestrado em Psicologia Social, no qual também obteve o primeiro lugar na seleção, mas interrompeu a pós-graduação em 2017.
Relatos de pânico: alunos e profissionais descrevem o caos
Estudantes contaram que ouviram correria nos corredores logo após os disparos. Alguns acreditaram se tratar de um trote ou obra interna, até que funcionários começaram a pedir socorro e acionar a polícia.
Uma aluna relatou que a escola estava cheia por causa de uma confraternização de fim de ano do 3º ano. Professores e estagiários se esconderam em salas e cantinas até a chegada dos PMs. Um docente disse que manteve os alunos trancados na sala por não haver treinamento para situações desse tipo.
Comunidade em luto e investigações em andamento
A Polícia Militar afirmou que encontrou as duas servidoras feridas e o autor dos tiros morto em uma das dependências da instituição. A tragédia abriu novas discussões sobre segurança escolar e suporte psicológico dentro de unidades federais de ensino.
O Cefet emitiu nota lamentando profundamente o ocorrido e reforçando que toda a comunidade está abalada com a perda de duas profissionais reconhecidas, queridas e essenciais para o trabalho pedagógico da instituição.








