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Thiago Rangel renuncia ao mandato de deputado na Alerj

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Político está preso desde maio, quando foi preso pela PF durante uma operação que investiga um esquema de irregularidades na Educação

O deputado Thiago Rangel (Avante) renunciou, nesta quarta-feira (12), ao mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ele estava afastado da Casa Legislativa desde maio, quando foi preso pela Polícia Federal durante uma operação que investiga um esquema de irregularidades em contratos da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc).

O suplente Wellington José (União), que já exercia o cargo de Rangel desde o afastamento do titular, passa a ocupar uma cadeira no parlamento fluminense em caráter definitivo.

O pedido de renúncia foi lido pelo vice-presidente da Alerj, deputado Guilherme Delaroli (PL), que presidia a sessão plenária desta quarta-feira. Wellington José era o primeiro suplente do Podemos, partido pelo qual tanto ele quanto Rangel disputaram as eleições de 2022.

Relembre a prisão de Thiago Rangel 

Thiago Rangel foi preso em 5 de maio durante a quarta fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura suspeitas de direcionamento de contratos para obras e serviços em unidades da rede estadual de ensino. De acordo com a Polícia Federal, empresas ligadas ao grupo investigado teriam sido beneficiadas em contratações realizadas pela Seeduc.

Na data da prisão, policiais federais encontraram no celular do deputado estadual um vídeo que exibe uma mala com R$ 500 mil em espécie. Segundo a denúncia, o valor seria fruto de um repasse para financiar campanhas de políticos em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, além de compor um esquema de caixa de quase R$ 3 milhões.

A quantia em espécie teria sido repassada, de acordo com a PF, por Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), para financiar um superfaturamento em licitações da área da Educação do estado. Além da mala encontrada nos arquivos do celular do deputado, a investigação reuniu áudios que mostram Rangel dando ordens sobre indicações políticas e movimentações suspeitas na Secretaria Estadual de Educação.

No início e maio, conversas obtidas no celular de Rangel já apontavam um comportamento semelhante a esse. Nas mensagens, ele oferece cargos na Educação ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”. Apontado como criminoso de alta periculosidade e réu por crimes como homicídio e tráfico de drogas, ele teria articulado com o parlamentar a indicação de duas pessoas para vagas de auxiliar de serviços gerais.

A PF identificou uma relação próxima entre o deputado e o traficante. Em uma conversa interceptada em 23 de junho de 2021, Fábio Pourbaix Azevedo, apontado como braço direito do deputado, orienta Rangel a reservar duas vagas na secretaria para Júnior do Beco.

Na troca de mensagens, Fábio pede que o parlamentar entre em contato com o traficante ou forneça seu número. Em resposta, Rangel encaminha o contato salvo como ‘Junior Beco’ e solicita que o assessor faça a interlocução em seu nome, informando que havia oito vagas disponíveis para o cargo de auxiliar de serviços gerais, sendo duas destinadas ao criminoso.

Em nota para a imprensa, a defesa de Thiago Rangel negou qualquer irregularidade, alegando que as mensagens foram tiradas de contexto.Afirma ainda que o ex-deputado apresentará sua versão dos fatos no decorrer do processo.

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