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Tarifaço dos EUA contra o Brasil: Itamaraty rebate Trump e fala em interferência política

16 07 2026 Mauro Vieira

O ministro Mauro Vieira afirmou que as novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros não possuem justificativa econômica, classificou as medidas como de motivação política e destacou que o Brasil manteve negociações com autoridades americanas desde 2025

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros “não têm justificativa” e carecem de “lastro com a realidade”. Durante coletiva no Palácio Itamaraty, em Brasília, o chanceler declarou que as medidas adotadas pelo governo americano possuem motivação política e não econômica.

Segundo Vieira, o Brasil vem tentando negociar com os Estados Unidos desde antes do anúncio do primeiro pacote tarifário, em abril de 2025. De acordo com o ministro, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone entre representantes dos dois países, incluindo encontros em níveis presidencial, ministerial e técnico.

Governo cita diálogo e critica investigação dos EUA

O posicionamento ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmar a aplicação de um novo pacote de tarifas baseado na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A medida, resultado de uma investigação iniciada há cerca de um ano, prevê uma extensa lista de produtos isentos, mas amplia as restrições comerciais a itens brasileiros.

Mauro Vieira afirmou que o governo brasileiro participou ativamente do processo e buscou diálogo desde a abertura da investigação. Segundo ele, apenas com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o representante de Comércio, Jamieson Greer, ocorreram 11 contatos oficiais.

Chanceler fala em interferência política

Durante o pronunciamento, o ministro também citou a carta enviada pelo presidente Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2025. Segundo Vieira, após esse episódio, as tarifas aplicadas ao Brasil foram elevadas para 50%, em uma decisão que classificou como uma tentativa de interferência em assuntos internos do país.

O chanceler afirmou ainda que as declarações recentes de Marco Rubio contra o governo brasileiro foram inadequadas e reiterou que o Brasil sempre demonstrou disposição para negociar qualquer tema comercial.

Vieira também declarou que os Estados Unidos buscavam uma abertura ampla de setores da economia brasileira aos seus interesses e afirmou que o Brasil não aceitou essas exigências. Para o ministro, as justificativas apresentadas pelo governo americano para aplicar as tarifas “não têm lastro na realidade”.

Entenda a investigação

As novas tarifas têm como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para investigar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

Em resposta, o governo brasileiro sustenta que as medidas são unilaterais, não possuem fundamentação econômica e podem ser respondidas por meio da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar restrições equivalentes caso considere que houve barreiras comerciais injustificadas impostas por outro país.

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