Sobe para 147 o número de mortos após inundações no Rio Grande do Sul

São mais de 538 mil pessoas desalojadas, sendo 80 mil em abrigos públicos, com necessidades de itens como colchões, cobertores e roupa de cama e banho

O número de mortes provocadas pelos temporais que atingem o Rio Grande do Sul subiu para 147 nesta segunda-feira, 13. Segundo o novo balanço divulgado pela Defesa Civil, o número de feridos também subiu para 806, e ao menos 127 pessoas desaparecidas.

Os dados ainda mostram que mais de 538 mil pessoas estão desalojadas e mais de 80 mil estão em abrigos públicos, com necessidades de itens como colchões, cobertores e roupa de cama e banho. Ao todo, pelo menos 477 cidades foram afetadas e mais de 2 milhões de pessoas sofrem com as inundações.

“Esses números podem mudar ainda substancialmente ao longo dos próximos dias, na medida em que a gente consiga acessar as localidades e consiga ter a identificação de outras vidas perdidas”, diz o governador Eduardo Leite (PSDB).

O balanço também aponta que mais de 76 mil vítimas das enchentes já foram resgatadas e mais de 10 mil animais foram salvos, na grande operação que conta mais de 27 mil pessoas, mais de 4 mil viaturas, 41 aeronaves e 340 embarcações.

A Rio Grande Energia (RGE), concessionária de energia elétrica que atende parte do estado, divulgou que 143 mil clientes estão sem luz. Já a outra concessionária de energia, a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) Equatorial, divulgou que há mais de 142 mil clientes sem energia em sua área de atuação.

Ao todo, são mais de 131 mil sem água, de um total de 6 milhões de clientes da Corsan no RS. Há ainda dezenas de municípios sem serviços de telefonia e internet das companhias Tim, Vivo e Claro, de acordo com a Defesa Civil.

Os temporais também causaram danos na infraestrutura viária do estado. Pelo menos 105 trechos de rodovias enfrentam algum tipo de bloqueio em razão disso. Do total, 59 rodovias com bloqueios totais e parciais, entre estradas e pontes.

De acordo com o balanço da Defesa Civil, mais de 270 mil estudantes foram impactados pelas cheias em escolas em toda Rede Estadual de ensino, com as aulas suspensas.

O boletim ainda mostra os números de escolas afetadas (danificadas, servindo de abrigo, com problemas de transporte, com problema de acesso e outros):

– 1.031 escolas
– 244 municípios
– 29 Coordenadorias Regionais de Educação (CREs)
– 359.002 estudantes impactados
– 532 escolas danificadas com 217.416 estudantes matriculados
– 82 escolas servindo de abrigo

Governo do Estado declara calamidade pública

O governador do estado Eduardo Leite (PSDB) declarou estado de calamidade pública. A medida foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial.

Em coletiva, Eduardo Leite (PSDB) afirmou que o estado precisará de um “Plano Marshall” para reconstrução.
“O Rio Grande do Sul vai precisar de uma espécie de Plano Marshall de reconstrução”, disse.

“Um plano de excepcionalidade em processos, em recursos, em medidas absolutamente extraordinárias. Porque, como eu insisto, quem já foi vítima da tragédia não pode ser vítima depois da desassistência e da demora”, completou.

Leite reforçou que o momento “histórico” exige medidas “absolutamente extraordinárias, porque quem já foi vítima da tragédia não pode ser vítima depois da desassistência”, declarou a jornalistas.

O governador gaúcho frisou que as diferenças políticas precisam ser colocadas de lado no momento em que o estado enfrenta fortes chuvas. “Temos que estar à altura do que a história nos exige, como lideranças públicas, colocando de lado qualquer diferença neste momento”, afirmou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajou para o Rio Grande do Sul, onde se reuniu com Leite no dia 2. No encontro, como uma medida emergencial, ficou decidida a criação de uma Sala de Situação Integrada, sob coordenação do comandante militar do Sul, general Hertz Pires do Nascimento, para organizar as operações de resgate em todas as regiões atingidas.

“Tudo que estiver no alcance do governo federal, seja através dos ministros, seja através da sociedade civil ou seja através dos nossos militares, vamos dedicar 24 horas de esforço para que a gente possa atender as necessidades básicas do povo que está isolado por conta da chuva”, disse Lula, após a reunião.

No dia 5 de maio, o chefe do Executivo esteve novamente no Rio Grande do Sul. Durante a visita, elencou uma série de ações prioritárias que devem ser tomadas pelo governo federal para lidar com os efeitos dos desastres. Entre as providências, está a viabilização de uma linha de crédito para empresas afetadas.

Além disso, Lula garantiu verba para reconstrução de estradas no estado e prometeu reduzir a burocracia para as obras.

“Eu sei que o estado tem uma situação financeira difícil, sei que tem muitas estradas com problema. Quero dizer que o governo federal através do Ministério dos Transporte vai ajudar vocês a recuperarem as estradas estaduais”, afirmou Lula em pronunciamento após sobrevoar a região metropolitana de Porto Alegre, acompanhado do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira; do Senado, Rodrigo Pacheco; e do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo federal enviou 100 integrantes da Força Nacional para o RS. A tropa federal tem ajudado nas operações de salvamento e resgate das pessoas atingidas pelas enchentes.

Dos 100 enviados para a região, 60 deles são bombeiros para auxiliar na resposta ao desastre causado pelos temporais no estado. Também foram deslocados para o estado 25 caminhonetes, dois ônibus, um caminhão e três botes de resgate. São 36 policiais federais que estão envolvidos diretamente nos trabalhos.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) mobilizou 75 agentes para as operações de salvamento e resgate das pessoas atingidas pelas enchentes, além de sete especialistas em resgate.

Doações

Diante da situação de calamidade pública enfrentada no Estado, o governo gaúcho reativou o canal de doações para a conta “SOS Rio Grande do Sul” para receber doações via Pix que serão revertidas a donativos para as vítimas.

O Governo do Rio Grande do Sul e a Defesa Civil divulgaram duas maneiras de receber as doações:

– Centro Logístico da Defesa Civil Estadual

– Endereço: avenida Joaquim Porto Villanova, 101, bairro Jardim Carvalho, em Porto Alegre

– Telefone: (51) 3210 4255

Pix para a conta SOS Rio Grande do Sul

– Chave – CNPJ: 92.958.800/0001-38

– Banco do Estado do Rio Grande do Sul

Atenção: quando realizar a operação, é necessário confirmar que o nome da conta que aparece é “SOS Rio Grande do Sul” e que o banco é o Banrisul.

A gestão e fiscalização dos recursos ficarão a cargo de um Comitê Gestor, presidido pela Secretaria da Casa Civil e composto por representantes de órgãos do governo e entidades sociais. Os recursos serão integralmente revertidos para o apoio humanitário às vítimas das enchentes e para a reconstrução da infraestrutura das cidades.

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