- Cantora também dividiu o palco com Anitta em ‘Choka Choka’
- Artista enlouqueceu o público com hits como ‘Hips Don’t Lie’
Foi com um macacão brilhante estampado com a bandeira do Brasil que Shakira subiu ao palco na praia de Copacabana neste sábado (2). O figurino seria uma das muitas homenagens ao país que ela faria ao longo do show que promete ser um dos mais importantes de sua carreira —e também um dos maiores.
A estimativa, feita a partir de fotos do local, é de que reuniu 2 milhões de pessoas, segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, ainda que o número possa ser impreciso, segundo especialistas.
A cantora, que costuma dizer em entrevistas que aprendeu português antes do inglês, trouxe ao palco um rol variado de estrelas da MPB que ia de Caetano Veloso a Anitta. Incorporou o passinho às coreografias e o verde e amarelo aos seus figurinos. E, ao lado primeiro de Maria Bethânia, e depois de Ivete Sangalo, fez da terceira edição do evento Todo Mundo no Rio um Carnaval fora de época.
Shakira subiu ao palco por volta das 23h, mais de uma hora depois do horário de início previsto. Foi um atraso maior do que o de Lady Gaga no ano passado e o de Madonna, no retrasado —a assessoria da cantora informou ao canal Multishow e à Globo que a demora se deveu a problemas pessoais. Segundo o jornal Correio Braziliense, a artista foi informada, pouco antes do início, de que seu pai apresentara um mal-estar, e pediu um tempo para se recuperar.
A plateia ficou impaciente com a demora, e não foram poucos os que ameaçaram ir embora. Mas um discurso emocionado da cantora pareceu fazê-los perdoá-la rapidamente. “Não posso acreditar que estou aqui com vocês. E pensar que eu cheguei aqui quando tinha 18 anos”, disse a colombiana em referência à idade em que fez seus primeiros shows no Brasil, ainda no princípio de seus esforços de internacionalização.
Shakira em Copacabana: Veja imagens do
Com menos de meia hora de show, ela já tinha emendado uma série de hits, incluindo as mais recentes “Te Felicito” e “Girl Like Me” às clássicas “Las de La Intuición”, “Inevitable” e “Estoy Aquí”.
Depois, exaltou a versão maternal de sua loba, primeiro com uma versão de “Acróstico”, com participação, gravada, de seus dois filhos nos telões, e depois com uma apresentação de “Soltera”. Shakira dedicou a última às mães solteiras, citando a estatística de sua prevalência no Brasil —20 milhões. “Eu sou uma delas”, completou, em referência à polêmica separação do ex-jogador de futebol Gerard Piqué em 2022.
Compare o público dos shows de Shakira e de Lady Gaga na praia de Copacabana
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Público lotou as areias, o calçadão e as pistas da região, ao longo de sete quarteirões – Pilar Oliver/Reuters e Mauro Pimentel/AFP
O término do relacionamento de 12 anos, sob rumores de traições, marcou o início de uma nova fase da carreira da cantora. Em vez de se recolher diante da experiência considerada por muitos humilhante, a artista decidiu convertê-la em música. “Las Mujeres Ya No Lloran”, álbum de 2024 em que o show em Copacabana se baseou, mostrava, assim, uma Shakira mais empoderada do que nunca, com letras que exaltam a independência feminina e caçoam da imaturidade dos homens.
Foi o momento latino de Shakira que mais pareceu engajar o público, no entanto. Com um vestido justinho que remetia a uma teia de fios dourados, a colombiana esbanjou sensualidade e mostrou seus movimentos de quadril tão característicos em uma sequência que incluiu “Copa Vacía, “La Bicicleta” e “Hay Amores” —finalizada, para êxtase da plateia, com “Hips Don’t Lie”.
Então, convocou a salsa de sua Colômbia natal para interpretações de “Chantaje” —iniciada no camarim e transmitida ao vivo — e “Loca”. E fez uma performance impressionante de dança do ventre cantando “Ojos Así”
A sensualidade deu lugar a um tom nostálgico quando uma montagem lembrando o início da carreira da artista tomou os telões. Ela cantou dois sucessos da época, “Pies Descalzos, Sueños Blancos”, e “Antología”, e chamou Caetano Veloso ao palco para uma encenação de “Leãozinho”, música que disse tocar para os filhos.
Foi nessa última parte do show que se concentraram as participações especiais –antes de Caetano, Anitta já tinha subido ao palco para cantar “Choka Choka”, uma parceria entre as duas incluída no álbum mais recente da brasileira.
E que participações. O palco se transformou em um Carnaval fora de hora, uma versão de “O que É o que É”, de Gonzaguinha, cantada junto de Maria Bethânia e da bateria da Unidos da Tijuca, ocupando todo o palco.
Depois, foi a vez de Ivete Sangalo fazer o público pular com “País Tropical” — a energia era tal que a impressão de que Shakira não tinha decorado bem as letras não importou.
A animação continuou alta até o fim do show, com o público cantando e dançando ao som dos sucessos “Whenever, Wherever” e o hino da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, “Waka Waka”.
O encerramento seguiu o roteiro das demais paradas da turnê de “Las Mujeres Ya No Lloran”, com o aparecimento de uma loba inflável imensa no centro do palco, seus olhos dois feixes de laser, e a apresentação das músicas “She Wolf”, do álbum homônimo, e “Bzrp Music Sessions, Vol. 53/66”, a última repleta de indiretas nada sutis da cantora para o ex-marido.
A diferença ficou por conta do figurino, um collant também estampado com padrões verde e amarelo.
A plateia, há muito conquistada, obedeceu ao chamado de Shakira e uivou a seu comando. E continuou vibrando quando Shakira desceu do palco para circular entre os convidados da área VIP.
“Eu nunca vou esquecer essa noite. Obrigada, Brasil”, despediu-se a cantora enquanto o ritmo do samba se apossava aos poucos da música.
*com informações da Folha de SP.
