Com nove títulos conquistados (1980, 1981, 1989, 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001 e 2023), a Imperatriz Leopoldinense será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval (15/02). Para fazer os foliões perderem o rebolado, a agremiação da Zona da Leopoldina leva para a Marquês de Sapucaí o enredo “Camaleônico”, do carnavalesco Leandro Vieira, abordando a carreira e a vida do cantor Ney Matogrosso, um ícone da música popular brasileira. O homenageado acompanhou as disputas de samba e fez questão de ir à quadra várias vezes.
Samba-enredo é junção de parcerias

O samba-enredo é uma junção de duas composições assinado por: Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antônio Crescente, Bernardo Nobre, Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrosio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna e Wilson Mineiro
Primeiro álbum vendeu um milhão de exemplares
Ney Matogrosso (cujo nome de batismo é Ney Matogrosso de Souza Pereira nasceu no 1º de agosto de 1941, em Vela vista, Mato Grosso do Sul. O início de sua carreira nacional foi em 1973 no conjunto Secos & Molhados, cujo primeiro álbum vendeu cerca de um milhão de exemplares. No ano seguinte, Ney saiu do grupo e foi fazer carreira solo com o disco “Água do Céu – Pássaro”.
O desfile da Imperatriz mostrará a ousadia e liberdade e expressão de Ney Matogrosso, que interpreta diversos sucessos como “O Vira”, “Sangue Latino” e “Homem com H”. A proposta é mostrar as facetas do cantor, um dos principais ícones da MPB.
Recorte textual e Independência comportamental
“O recorte textual remete ao surgimento da figura de Ney Matogrosso no imaginário brasileiro tendo sua independência comportamental como mote para a apresentação de uma persona performática que incorporou a androginia e a estética sul-americana com toques surreais como material criativo. Há ainda a menção à sua estreia como vocalista do Secos & Molhados, tendo como foco o icônico LP (e a histórica capa) lançado em 1973. Em linhas gerais, um marco de suas performances históricas e vitrine para a sua consagração como um dos maiores artistas brasileiros”, relata o carnavalesco Leandro Vieira no enredo.
Nome artístico só veio em 1971 quando morava e,m São paulo
Ney Matogrosso nasceu na cidade de Bela Vista, Mato grosso do Sul, divisa com o Paraguai. Filho de militar, ele foi muito reprimido durante a infância e a adolescência. Aos 18 anos assumiu sua bissexualidade, deixou a casa e ingressou na Aeronáutica. Desde novo, Ney já cantava em bares e cabaré de sua cidade e municípios vizinhos. Ele adotou seu nome artístico em 1971, quando foi para São Paulo. Ele chegou a servir na Aeronáutica, mas foi morar em Brasília, onde com a ajuda de um primo trabalhou no laboratório do Hospital de Base.
João Ricardo lançou Ney no ‘Secos & Molhados’
Em seguida, Ney deixou Brasília e foi morar no Rio de Janeiro. Nas idas e vindas entre Rio, São Paulo e Brasília, Ney conheceu o produtor cultural João Ricardo, que o convidou para ser vocalista de uma banda que estava montando. A banda era nada mais nada menos que os “Secos & Molhados”, que emplacou sucessos como “O Vira” (João Ricardo e Luhli), e “Sangue Latino” (João Ricardo e Paulinho Mendonça”, entre outros.
Daí por diante, Ney deslanchou na carreira e colecionou sucessos. O resto é história…
ENREDO: Camaleônico
CARNAVALESCO: Leandro Vieira
Compositores: Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antônio Crescente, Bernardo Nobre, Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrosio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna e Wilson Mineiro
Sou meio homem, meio bicho
O silêncio e o grito
Pássaro, mulher
Que pinta a verdade no rosto
Traz a coragem no corpo
E nunca esconde o que é
Pelo visível, indefinível
Ressignifica o frágil
O que confunde é o desbunde
O que desafia o fácil
Canto com alma de mulher
Arte que sabe o que quer
E não se esqueça
Eu sou o poema que afronta o sistema
A língua no ouvido de quem censurar
Livre para ser inteiro
Pois, sou homem com H
E como sou…
O bicho, bandido, pecado e feitiço
Pavão de mistérios, rebelde, catiço
A voz que a cálida rosa deu nome
A força de Atenas que o mal não consome
O sangue latino que vira
Vira, vira lobisomem
Eu juro que é melhor se entregar
Ao jeito felino provocador
Devoro pra ser devorado
Não vejo pecado ao sul do Equador
Se joga na festa, esquece o amanhã
Minha escola na rua pra ser campeã!
Vem meu amor
Vamos viver a vida
Bota pra ferver
Que o dia vai nascer feliz na Leopoldina