Distribuição de estesiômetros, que mede lesões precoces nos nervos; e capacitação de profissionais na Atenção Básica evitam que a doença cause danos físicos irreversíveis
Nesta quarta-feira (5/8), Dia Estadual de Combate à Hanseníase, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) amplia uma estratégia fundamental para quem vive com a doença no Rio de Janeiro: a distribuição de estesiômetros para os municípios. Esse aparelho simples, que mede a sensibilidade da pele, é capaz de identificar lesões nos nervos precocemente, antes que gerem sequelas irreversíveis.
A SES-RJ adquiriu mais 276 estesiômetros para melhorar o tratamento desses pacientes. Nesta etapa, os equipamentos serão distribuídos aos municípios prioritários que tenham apresentado casos, sempre vinculados às capacitações promovidas pela Gerência de Hanseníase da SES-RJ. Nos últimos dois anos, outras duas rodadas de distribuição já contemplaram 450 kits, fortalecendo o atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS).
O estesiômetro avalia a sensibilidade das mãos, pés e rosto, regiões frequentemente afetadas pela hanseníase. A perda de sensibilidade é um dos primeiros sinais do comprometimento dos nervos periféricos e, quando identificada precocemente, pode evitar deformidades e outras sequelas incapacitantes. O exame é recomendado já na primeira avaliação do paciente e também durante todo o acompanhamento do tratamento.
A estratégia teve início em 2018, quando a SES-RJ, em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Sasakawa, identificou que muitas equipes de saúde tinham dificuldade para realizar a avaliação neurológica por falta do equipamento. A solução foi associar as capacitações à entrega dos estesiômetros, permitindo que as equipes aplicassem imediatamente o conhecimento adquirido na rotina dos serviços.
Com os resultados alcançados, a iniciativa foi incorporada às ações permanentes da Secretaria e passou a contar com investimento estadual. Hoje, além da distribuição dos kits, a SES-RJ acompanha a utilização dos equipamentos pelos municípios por meio do monitoramento das avaliações registradas nos sistemas de informação em saúde.
“O estesiômetro é um equipamento simples, mas que faz diferença na qualidade da avaliação neurológica. Ao entregar o kit junto com a capacitação, garantimos que o profissional tenha condições de aplicar corretamente o exame e identificar precocemente alterações que podem levar a incapacidades permanentes. É uma estratégia que fortalece o cuidado e a prevenção das sequelas da hanseníase”, destaca o gerente da Gerência de Hanseníase da SES-RJ, André Luiz da Silva.
A distribuição dos equipamentos integra as ações previstas nas metas do Plano Estadual de Saúde voltadas à redução das incapacidades físicas provocadas pela hanseníase e faz parte de um conjunto de ações de qualificação das equipes municipais. Entre 2021 e 2023, profissionais de todas as regiões do estado participaram de treinamentos e oficinas práticas, incluindo capacitações específicas para fisioterapeutas, ampliando a atuação multiprofissional no cuidado às pessoas com a doença.
A experiência desenvolvida no estado do Rio de Janeiro ganhou reconhecimento nacional e, agora, o Ministério da Saúde pretende ampliar a estratégia em outros estados brasileiros, incorporando a distribuição de estesiômetros às ações voltadas à Atenção Primária à Saúde.
“Quando identificamos precocemente a perda de sensibilidade, conseguimos iniciar intervenções antes que surjam deformidades permanentes. É um equipamento de baixa densidade tecnológica, mas de grande impacto na qualidade de vida das pessoas, porque permite prevenir incapacidades e orientar o cuidado desde o início do tratamento”, explica a especialista em avaliação neurológica da Gerência de Hanseníase da SES-RJ, Daisy Bastos.
Moradora de Belford Roxo, a operadora de caixa Lucimeri Maria Vicente Duque, 55 anos, é uma das pacientes que faz o acompanhamento no Ambulatório Souza Araújo (ASA)/Fiocruz. Ela desenvolveu ectrópio – condição em que a pálpebra se vira para fora – na pálpebra inferior do olho esquerdo, o que impedia o fechamento completo do olho. Em decorrência desse comprometimento, foi submetida a uma cirurgia reparadora no Hospital do Olho, em Duque de Caxias.
Durante a avaliação clínica, os pacientes são submetidos ao exame da função neurológica. O teste com estesiômetro permite avaliar o comprometimento da sensibilidade das mãos e dos pés, além da facial.
Outro paciente, Lucas Augusto Santos, 24 anos, também passou pela consulta com o uso do equipamento. O paciente, que se trata desde outubro de 2025, relatou que a mão começou a inchar, dificultando o seu fechamento. Em seguida, procurou atendimento médico. O operador de logística ainda sente dormência, mas agora sem dor.
A hanseníase tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A doença é causada por uma bactéria que pode atingir a pele e os nervos periféricos. Manchas na pele com alteração de sensibilidade, formigamento, dormência e diminuição da força nas mãos e nos pés estão entre os principais sinais de alerta. O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento interrompem a transmissão da doença, reduzindo significativamente o risco de sequelas permanentes.









