Sambista morreu aos 93 anos e será velado na quadra da Portela nesta terça-feira; Geovani, o capixaba que virou o “Pequeno Príncipe” no Vasco da Gama, morreu aos 62 anos depois de uma parada cardíaca nesta madrugada
O samba e o futebol estão de luto. Estrela do samba, Noca da Portela morreu neste domingo (17), aos 93 anos. Ele estava internado desde o último dia 30 de abril no hospital Assim Medical, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, para tratar uma infecção pulmonar. No último dia 10, chegou a ser transferido para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) da unidade, após apresentar piora no quadro clínico. Ele faleceu às 17h5m de ontem, segundo o boletim médico.
O velório de Noca acontecerá na terça-feira (19) na quadra da Portela, em Madureira. A cerimônia será aberta ao público, das 8h às 14h.
Nas redes sociais
Nas redes sociais, a Portela, onde Noca ocupava o posto de baluarte, lamentou a perda e decretou três dias de luto oficial. “Com profundo pesar, o G.R.E.S. Portela comunica o falecimento do nosso eterno baluarte Noca da Portela. Figura querida e sempre presente em nossa quadra, Noca fará muita falta para toda a família portelense. Em nome da presidência, ficam decretados três dias de luto oficial. Enviamos todo o nosso carinho e solidariedade aos familiares, amigos e admiradores deste grande artista”, escreveu a agremiação. Leia a nota na íntegra abaixo.
O Fluminense, time do coração de Noca da Portela, também prestou homenagem ao sambista na noite de domingo. Em nota, o clube destacou o amor do artista pelo Tricolor e lembrou que ele eternizou essa paixão em versos como “de corpo e alma, de coração”.
“O Fluminense FC recebe com enorme pesar a notícia do falecimento de Noca da Portela, um dos grandes artistas tricolores da história do samba. Tricolor ‘de corpo e alma, de coração’, como cantou, Noca é um dos compositores de ‘Gosto que me enrosco’, samba da sua Portela de 1995 que ganhou as arquibancadas do Maracanã, na voz da torcida do Fluminense, após encantar a Sapucaí. Noca nos deixa com muita tristeza, mas com o orgulho imenso de poder dividir seu coração azul e branco com as três cores que traduzem tradição. Obrigado por tudo, mestre”, escreveu o clube.
A Prefeitura do Rio publicou uma nota sobre a grande perda para o mundo do samba. “Noca da Portela, um dos grandes nomes do samba e da cultura popular carioca. Noca teve sua trajetória marcada pela dedicação à Portela, consolidando-se como um dos grandes autores de sambas que foram pilares para a história do Carnaval carioca. Sua obra e atuação como compositor e integrante da Velha Guarda Show da Portela representam um legado fundamental para a música brasileira. A Prefeitura se solidariza com familiares, amigos e toda a comunidade do samba. Temos certeza de que o legado de Noca da Portela seguirá vivo e pulsando na história da cidade.”
Ainda não há informações sobre o local e horário do sepultamento do sambista.
Segundo a família, o sambista tinha o grande desejo de retornar para casa, especialmente por causa do lançamento do EP Flores em Vida, projeto especial gravado pela Universal Music que representa uma emocionante homenagem ao artista ainda em vida.
Quem foi Noca da Portela
Osvaldo Alves Pereira, mais conhecido como Noca da Portela, nasceu em Leopoldina, em Minas Gerais, em 12 de dezembro de 1932, e se tornou um dos maiores nomes da história do samba carioca. Autor de centenas de composições e um dos maiores vencedores de sambas-enredo da azul e branco de Madureira, construiu uma trajetória marcada pela defesa da cultura popular e pela ligação profunda com o Carnaval do Rio.
Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família. Filho de um professor de violão, trabalhou como feirante durante a juventude, mas acabou seguindo o caminho da música, estudando violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil.
Noca começou a compor ainda adolescente e iniciou sua trajetória no samba pela Unidos do Catete. Nos anos 1950, participou da fundação da escola de samba Paraíso do Tuiuti, onde assinou sambas-enredo marcantes e consolidou seu nome no meio carnavalesco.
Em 1966, foi convidado por Paulinho da Viola para integrar a ala de compositores da Portela. A entrada na escola aconteceu após um teste aplicado por Candeia, um dos sambistas mais respeitados da agremiação. Na azul e branco de Madureira, Noca construiu uma das trajetórias mais vitoriosas da história da escola.
Suas composições ultrapassaram os limites da avenida e foram gravadas por grandes nomes da música brasileira, como Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione e Zeca Pagodinho. Entre suas músicas mais conhecidas está “Virada”, eternizada na voz de Beth Carvalho e associada ao período de redemocratização do Brasil.
Militante do Partido Comunista Brasileiro, Noca também ficou conhecido pelo caráter político e social de muitas de suas letras. No fim da década de 1990, apresentou o programa “Na Casa de Noca”, na rádio 94 FM, dedicado ao universo do samba e à valorização dos compositores populares.
Em 2006, assumiu a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro durante o governo de Rosinha Garotinho.
A morte de Giovani
O futebol brasileiro perdeu nesta segunda-feira (18) Geovani Silva, aos 62 anos. Ídolo do Vasco e referência histórica do futebol capixaba, o ex-jogador morreu após passar mal de forma repentina nesta madrugada.
Ele foi socorrido imediatamente e levado ao hospital mais próximo mas, apesar dos esforços da equipe médica e das tentativas de reanimação, não resistiu a uma parada cardíaca.
O culto de despedida será realizado na terça-feira (19), pela manhã, seguido do sepultamento no Parque da Paz, em Vila Velha.
Conhecido como “Pequeno Príncipe”, Geovani construiu uma trajetória marcante no futebol nacional graças ao talento refinado, à visão de jogo e à habilidade técnica que o transformaram em um dos grandes meias de sua geração.
Revelado pela Desportiva Ferroviária, no Espírito Santo, ele chegou ao Vasco ainda jovem e rapidamente virou símbolo do clube carioca em São Januário.
Com a camisa vascaína, o ex-jogador conquistou 7 títulos estaduais. Geovani também teve passagem pela Seleção Brasileira, com a conquista da Copa América de 1989, além de ter sido destaque da geração medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.
