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Rio ocupa terceiro lugar em feminicídios e média nacional chega a quatro mortes de mulheres por dia

Dados apresentados na Alerj mostram 1.470 casos no Brasil, 104 no estado e mais de 7 mil medidas protetivas concedidas pela Justiça fluminense

Os números da violência contra mulheres dominaram o debate realizado na última terça-feira (10) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Em audiência pública promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, parlamentares, representantes do sistema de Justiça, integrantes do governo estadual e movimentos da sociedade civil analisaram dados recentes sobre feminicídio e violência de gênero no Brasil e no estado.

As estatísticas apresentadas durante a reunião revelam um cenário preocupante e reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas de prevenção e proteção. O debate também servirá de base para a CPI do Feminicídio, responsável por investigar o avanço da violência contra as mulheres no estado.

Quatro mulheres mortas por dia

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio em 2025. O número representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em razão de sua condição de gênero.

Outro levantamento citado no encontro, produzido pelo Observatório da Violência contra a Mulher, aponta que cerca de 23 milhões de brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência no mesmo período. O número corresponde a aproximadamente uma em cada quatro mulheres no país.

Rio entre os estados com mais casos

No recorte estadual, os dados também chamaram atenção dos participantes da audiência. O Rio de Janeiro ocupa a terceira posição no ranking nacional de feminicídios, com 104 casos registrados.

Além disso, informações do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ) mostram que mais de sete mil medidas protetivas foram concedidas ao longo de 2025, o que indica a dimensão da violência doméstica e a crescente procura por instrumentos legais de proteção.

Os números foram apresentados como um retrato da dimensão do problema e da pressão crescente sobre a rede de proteção às mulheres.

Possível CPI na Alerj

A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Renata Souza (Psol), afirmou que os indicativos apresentados reforçam a necessidade de aprofundar o debate sobre as causas da violência.

Segundo a parlamentar, a audiência pública deve contribuir para um diagnóstico mais detalhado do problema e poderá servir de base para a criação de uma CPI sobre feminicídio na Assembleia.

Durante o encontro, Renata Souza afirmou que a recorrência dos casos indica falhas no enfrentamento da violência contra mulheres e defendeu que o debate ajude a identificar essas fragilidades.

Atendimento às vítimas na Assembleia

A audiência também apresentou dados sobre a Sala Lilás da Alerj, espaço criado em 2023 para acolher mulheres vítimas de violência e oferecer orientação jurídica e encaminhamento à rede de proteção.

Desde a criação do serviço, mais de 620 mulheres já foram atendidas. Somente em 2025 foram registrados 216 atendimentos, sendo que parte das assistidas procurou o espaço mais de uma vez.

O levantamento aponta ainda que a maioria das mulheres atendidas tem entre 30 e 49 anos, faixa etária que concentra grande parte dos casos de violência registrados no serviço.

Desafios para a rede de proteção

Durante o debate, representantes de instituições públicas também defenderam o fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência de gênero.

A coordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (Nudem), Thaís dos Santos, destacou a necessidade de ampliar o número de delegacias especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência.

Segundo ela, apesar de ser o terceiro estado mais populoso do país, o Rio ocupa apenas a 11ª posição em número de delegacias especializadas, o que faz com que muitas mulheres ainda precisem recorrer a delegacias distritais.

Já a superintendente de Articulação Institucional e Ações Transversais da Secretaria de Estado da Mulher, Aline Inglez, destacou iniciativas voltadas à conscientização e responsabilização de homens autores de violência, incluindo programas educativos e grupos reflexivos dentro do sistema prisional.

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