O Rio de Janeiro entrou na disputa para sediar o Mundial de Corrida de Rua de 2028, uma das principais competições do calendário da World Athletics, entidade responsável pelo atletismo internacional. A capital fluminense representa a candidatura brasileira e concorre com cidades da Austrália, Bélgica, Canadá e Holanda para receber o evento, previsto para o fim de setembro daquele ano.
A escolha da sede será anunciada em março de 2027. Embora a data exata da competição ainda não tenha sido definida, a expectativa é que o Mundial reúna atletas de elite e corredores amadores de diferentes países em provas realizadas pelas ruas da cidade escolhida.
A candidatura brasileira é conduzida pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que iniciou conversas com representantes da World Athletics e da Prefeitura do Rio ainda em 2025. O projeto busca aproveitar a experiência da cidade na organização de grandes eventos esportivos, especialmente os Jogos Olímpicos de 2016.
Entre os argumentos apresentados estão a infraestrutura disponível, a capacidade de receber visitantes e as paisagens da capital fluminense, que poderiam integrar os percursos das provas.
Rio aposta em legado olímpico
O presidente da CBAt, Wlamir Motta, acredita que a realização da competição fora da Europa pode favorecer a candidatura brasileira, considerando a intenção da World Athletics de ampliar a distribuição geográfica de seus eventos.
“Entendo que, como o último Mundial foi na Europa, seria importante realizar em outro continente. Isso dialoga com a política da World Athletics de descentralização”, afirmou.
Na avaliação do dirigente, o Rio reúne condições para receber a competição tanto pela experiência na organização de eventos internacionais quanto pelo interesse crescente da população pelas corridas de rua. “Todos querem correr no Rio de Janeiro”, declarou Motta.
“É uma cidade com grande infraestrutura, um mercado crescente e apaixonado pela corrida de rua e o fato de estarmos na América do Sul, um grande mercado para a World Athletics”, acrescentou.
A capital fluminense também aposta em seu potencial turístico para atrair competidores e visitantes. A possibilidade de realizar provas em percursos que valorizem as paisagens cariocas é considerada um dos atrativos da candidatura.
Apesar das expectativas, a definição dependerá da avaliação da World Athletics, que também analisará as propostas das demais cidades concorrentes.
Corrida de rua cresce no Brasil
Outro fator utilizado para sustentar a candidatura é a expansão das corridas de rua no país. O Brasil reúne aproximadamente 15 milhões de praticantes da modalidade e tem cerca de 13 mil provas previstas para 2026.
O crescimento também aparece nos dados da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo). Segundo levantamento da entidade, o número de eventos oficiais aumentou 85% em 2025.
Esse avanço demonstra a ampliação do mercado de corridas, que movimenta inscrições, serviços esportivos, turismo e atividades relacionadas à organização das competições. O Mundial de Corrida de Rua contempla três distâncias: uma milha, equivalente a aproximadamente 1,6 quilômetro, cinco quilômetros e meia-maratona, com percurso de 21,0975 quilômetros.
As disputas são abertas tanto a atletas profissionais quanto a corredores amadores, permitindo a participação de diferentes perfis de competidores. A edição de 2026 foi realizada em Copenhague, na Dinamarca, enquanto a competição de 2027 está programada para Yangzhou, na China.
Para a CBAt, receber o Mundial no Rio representaria uma oportunidade de ampliar a visibilidade da modalidade e estimular a participação de novos corredores, especialmente crianças e jovens.
Mundial pode ampliar interesse pelo atletismo
Além dos resultados esportivos e da movimentação econômica, a confederação destaca os possíveis efeitos da competição sobre a formação de atletas e a popularização do esporte. Wlamir Motta considera que a presença de competidores internacionais pode aproximar o público de seus ídolos e incentivar a prática do atletismo.
“O principal legado é o impacto disso: as pessoas, as crianças que podem ver seus ídolos de perto, a visibilidade para os atletas e seus treinadores. O legado é imaterial, é o que fica como consequência disso. O crescimento do esporte, o aumento do número de fãs e praticantes fazem com que tenhamos um futuro muito promissor”, afirmou.
A candidatura do Rio também se apoia na experiência recente do Brasil como sede de competições internacionais da modalidade. Em 2026, Brasília recebeu pela primeira vez o Mundial de Marcha Atlética. A realização do evento é considerada pela CBAt um argumento favorável à capacidade do país de organizar disputas internacionais.
“O Brasil é um local onde todos querem competir, seja pelo clima favorável, pelas pistas, por receber bem o turista esportivo”, afirmou Motta.
O dirigente também destacou a presença de atletas brasileiros reconhecidos internacionalmente, como Alison dos Santos, conhecido como Piu, medalhista olímpico dos 400 metros com barreiras. “Temos nossos ídolos, como o Piu, um atleta extremamente carismático, um ícone do atletismo global. Isso é importante também”, acrescentou.
