Quais são as cidades e regiões que mais vêm produzindo jovens autores selecionados pela Academia Brasileira de Letras (ABL) no Prêmio Rio de Letras? Um levantamento da Firjan SESI mostra que, nos últimos dois anos, 27 deles são da capital, embora a região Sul também se destaque com 22 premiados – incluindo um bicampeão. O prêmio, que chega à terceira edição neste ano, é uma iniciativa da Firjan SESI em parceria com a ABL e a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc). As inscrições estão abertas somente até esta sexta-feira (17/7).
A premiação é voltada a estudantes do Ensino Médio das redes estadual e Firjan SESI, e cada participante pode submeter somente um trabalho, escolhendo entre as categorias Poesia, Crônica e Conto, cujos textos são selecionados pelos imortais da ABL. Neste ano, o tema escolhido foi “Inteligência Artificial e Criatividade”, enquanto nas edições anteriores os textos abordaram diversidade e natureza, num total de mais de 100 jovens autores premiados.
Foi o caso do bicampeão na categoria Crônica, Fellipe Spínola, então aluno do Colégio Estadual Engenheiro Passos, de Resende, e hoje estudante de Farmácia na Associação Educacional Dom Bosco. Fellipe sempre gostou de se expressar, especialmente por meio da música, por isso já vinha arriscando alguns textos. Assim que soube do prêmio, recebeu incentivo na escola. “A professora disse que estava decidida a me inscrever e pediu que preparasse um texto. Em dois dias escrevi algumas crônicas e ela escolheu uma”, recorda. “Eu não imaginava nem que seria finalista. Quando a professora contou, foi um choque. Meus familiares ficaram felizes. Um pouco surpresos também – não por não acreditar em mim, mas pela magnitude desse prêmio”.
Aumento na procura por curso de Escrita Criativa
O Colégio de Fellipe foi um dos mais premiados nesses dois anos (sete vezes), ao lado da Escola Firjan SESI Macaé, com seis autores selecionados. A coordenadora de Educação Básica, Rejane Senna, conta que nunca houve um interesse tão grande pelo curso de Escrita Criativa, oferecido há cerca de quatro anos – portanto, anterior à realização do prêmio. Segundo ela, muitos estudantes relatam que isso se deu em função do prêmio. “Temos sempre conquistado medalhas, os trabalhos são reconhecidos. Isso acaba sendo um incentivo para os alunos buscarem mais a leitura e a escrita”, pontua.
O primeiro passo é identificar os interessados. Semanalmente, é promovido um encontro para que falem sobre o processo de criação – um acompanhamento que, segundo Rejane, tem feito toda a diferença. Ao fim desse processo, as professoras responsáveis pela tutoria na participação do prêmio fazem uma seleção dos que serão submetidos. “Os estudantes se apoiam muito, mas têm muita sede de competição, de ganhar, então temos tido resultados muito bacanas”, conclui.
Já na Escola Firjan SESI Petrópolis, de onde também saíram seis autores premiados, a professora Rafaela Rabello, que ministra aulas de Língua Portuguesa, Redação e Literatura, destaca não só o prêmio em si, como a cerimônia de premiação – que, no ano passado, foi no Theatro Municipal do Rio. “Nós somos do interior e, para muitos, foi a única oportunidade de conhecer o Theatro Municipal, estar lá dentro e participar de um evento dessa grandiosidade”, destaca, ressaltando ainda o contato com os atores e escritores Lázaro Ramos e Thalita Rebouças, apresentadores do prêmio.
Clube da Escrita na Baixada Fluminense
A região da Baixada Fluminense também se destacou com 18 premiados. Em Duque de Caxias, o professor de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Estadual Alexander Graham Bell, Carlos Henrique Afonso Khoury, estuda minuciosamente o edital antes de conversar com os estudantes. A instituição convoca um evento com essa finalidade, onde ele aponta os itens que merecem maior atenção.
Entre os interessados, sempre estão os participantes do Clube da Escrita, coordenado por ele. O foco principal da atividade é preparar os alunos do terceiro ano do Ensino Médio para as redações de vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) – mas o gosto pela leitura e pelo ato de escrever ganha novos contornos. De qualquer forma, todos os interessados passam por um treinamento específico para o prêmio.
“A partir deste momento, eles já são incentivados a produzir. Enviam para mim, que faço os apontamentos necessários e a devolutiva. A seguir, eles retornam, e assim é feito até fecharmos cada participação”, relata o professor. O trabalho é concluído quando ele identifica que o estudante transferiu a própria essência para o texto, pois a originalidade é um dos objetivos principais. A metodologia já levou a instituição ao lugar mais alto do pódio.
