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Recicladoras de fachada? Polícia descobre fraude bilionária no RJ; ex-candidato a prefeito é um dos alvos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (18) uma nova fase da Operação Caminhos do Cobre, voltada ao combate à receptação de materiais furtados — com foco especial em grandes recicladoras. Segundo a reportagem do G1, a ação, liderada pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), mira empresas que movimentaram cerca de R$ 2,5 bilhões nos últimos quatro anos com a venda de metais de origem suspeita, principalmente cobre. Um dos alvos da operação é Rogério Ribeiro, ex-candidato à prefeitura de Nilópolis, apontado como proprietário de uma das recicladoras investigadas.

A operação se concentra na capital fluminense, na Baixada e na Região dos Lagos, onde estão sendo cumpridos 35 mandados de busca e apreensão. Um dos alvos é Rogério Ribeiro, ex-candidato à prefeitura de Nilópolis, apontado como proprietário de uma das recicladoras investigadas. Ele não foi localizado em sua residência até o momento.

As investigações indicam que empresas do setor de reciclagem estariam sendo utilizadas para dar aparência legal à comercialização de materiais como cabos subterrâneos de concessionárias de energia e telecomunicações. Mesmo registradas formalmente e com atividades regulares, várias dessas empresas estariam operando de forma mista: parte do negócio é legítima, enquanto outra parte serve como canal para escoar produtos roubados.

Além disso, a DRF identificou empresas de fachada criadas exclusivamente para movimentações financeiras irregulares. Esses negócios fictícios geralmente não têm funcionários, apresentam operações fracionadas e movimentam valores incompatíveis com os registros contábeis e fiscais.

A polícia apura os crimes de receptação qualificada, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Esta é a segunda fase da operação em 2025. Em abril, sete pessoas foram presas em ações anteriores. Na ocasião, agentes encontraram caminhões usados para retirar cabos debaixo do solo, com criminosos se passando por funcionários de empresas, inclusive utilizando uniformes falsificados.

A primeira fase da Caminhos do Cobre ocorreu em 2022, quando uma tonelada de cobre sem origem comprovada foi apreendida em ferros-velhos do Rio. Ao longo das etapas, a polícia já prendeu cerca de 40 pessoas e descobriu um esquema bem estruturado para o furto e escoamento de baterias industriais, cabos de fibra ótica, geradores e transformadores.

As investigações continuam, com foco na identificação de todos os envolvidos na cadeia criminosa que usa recicladoras como fachada para a receptação de metais furtados — um esquema que já causou danos a serviços públicos e prejuízos milionários a concessionárias.

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