Vinte famílias de comunidades ribeirinhas em Magé, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, terão acesso a saneamento básico, água potável e energia sustentável ao longo de 2025. A iniciativa faz parte da última Chamada de Projetos em Educação Ambiental, vinculada ao Termo de Ajustamento de Conduta da PRIO, maior empresa independente de óleo e gás do país, com implementação do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). As soluções incluem biodigestores, fossas sépticas e painéis fotovoltaicos, levando mais qualidade de vida a moradores de Feital, Suruí, Matinha, Bongaba e Piedade.
Além das residências, três organizações comunitárias receberão as tecnologias: o Quilombo de Feital, a Associação Luthando pela Vida e a Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé (ACAMM), também localizados em Magé. Todos irão receber formações para manutenção dessas tecnologias, podendo ser replicadas em outras comunidades, seguindo a metodologia e o envolvimento comunitário.
Para Lucimar Machado, coordenadora do projeto Vozes do Mangue e presidente da Associação Luthando pela Vida, essa iniciativa é um importante instrumento para a melhoria das condições de vida das comunidades quilombolas e pesqueiras da região, além de fortalecer a organização comunitária. “A falta de saneamento básico e água potável é um dos fatores na promoção de doenças graves para nossa comunidade. Ações sustentáveis como essas transformam não só a vida das pessoas de forma individual, mas também coletiva. Aqui, temos a oportunidade de replicar a tecnologia para outras regiões”, explica a presidente da associação.
Uma dessas técnicas aplicadas é a fossa séptica biodigestora, cujo sistema de tratamento de esgoto caseiro utiliza bactérias para decompor resíduos, transformando em biogás para uso na cozinha, sendo uma alternativa viável em áreas onde não há saneamento básico. Outra tecnologia é a fossa com plantação de bananeira, uma alternativa sustentável, em que os dejetos são transformados em adubo.
Além da instalação das fossas, todas as casas selecionadas receberão cisternas, filtros de barro e painéis fotovoltaicos, em substituição de geradores a diesel. As instalações já iniciaram em fevereiro deste ano, mas as organizações beneficiadas terão 12 meses para desenvolver suas atividades.
No âmbito deste projeto, são promovidas ações que contribuem para o fortalecimento comunitário, a educação ambiental, a geração de renda e, consequentemente, a melhoria da qualidade socioambiental dessas regiões contempladas. Vale lembrar que o TAC Frade, da qual a iniciativa faz parte, foi estabelecido após os danos causados ao ambiente e às populações ribeirinhas do estado do Rio de Janeiro devido a um acidente em 2012, na Bacia de Campos, norte do estado, passando para gestão da PRIO em 2019, quando a empresa adquiriu o Campo de Frade da antiga operadora. O FUNBIO faz a gestão financeira e operacional e atua na seleção e acompanhamento das instituições beneficiadas, selecionadas por meio das Chamadas de Projetos.