Presidente do STF diz que Brasil ‘vai empurrar extremismo para a margem da história’

Na véspera de julgamento de Bolsonaro, Barroso afirma que o país entra em novo ciclo político

Na véspera do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela tentativa de golpe de Estado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, declarou nesta segunda-feira (1º) que o Brasil está prestes a superar o radicalismo político que marcou os últimos anos. As declarações foram dadas após palestra na Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ).

Segundo Barroso, o país caminha para um cenário em que diferentes correntes ideológicas possam coexistir sem ameaçar as instituições democráticas. “Na democracia, a regra é quem ganha leva. Quem perde não fica despojado dos seus direitos e pode concorrer. O que me preocupa é o extremismo. Acho que em breve nós vamos empurrar o extremismo para a margem da história e teremos uma política em que estarão presentes conservadores, liberais, progressistas, como a vida deve ser”, afirmou o ministro.

Julgamento histórico no STF

O processo contra Bolsonaro começa nesta terça-feira (2) e será conduzido pela Primeira Turma do STF, formada pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente do colegiado), Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux. Barroso não participa da análise, já que não integra a turma.

Ele destacou que o comportamento de quem perde eleições tentando “levar a bola para casa ou mudar as regras” representa um passado que precisa ser superado. A expectativa é que o julgamento seja um marco no enfrentamento às investidas contra o processo democrático brasileiro.

Balanço da presidência no Supremo

No último mês de sua gestão à frente do STF, Barroso também fez um balanço sobre sua atuação. Ele ressaltou o enfrentamento das tensões provocadas pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e pela investigação da tentativa de golpe.

“Vivemos as tensões do julgamento do 8 de Janeiro e daquilo que o Procurador-Geral [Paulo Gonet] qualificou como tentativa de golpe, que ainda vai ser julgado. Nenhum país julga isso sem algum tipo de tensão. Mas a tensão foi absorvida institucionalmente. Acho que a vida democrática fluiu com naturalidade ao longo desse período”, avaliou.

Barroso deixará a presidência da Corte no dia 29 de setembro, quando será sucedido pelo ministro Edson Fachin, que comandará o tribunal no biênio 2025-2027.

Com informações da Agenda do Poder

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