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Preocupação com segurança dispara e atinge 52% da população após megaoperação no Rio

Percentual cresce 12% e é o maior patamar desde 2018. Pobreza e desigualdade social vêm em segundo lugar, com 38%, seguidos pela Saúde, com 36%. Corrupção financeira e política caiu 5 pontos (34%)

A preocupação dos brasileiros com crime e violência subiu para 52% em novembro e alcançou o maior patamar desde 2018, segundo a pesquisa What Worries the World, do instituto Ipsos, divulgada com exclusividade pelo jornal O GLOBO. O salto de 12 pontos percentuais em relação a outubro ocorre após a megaoperação policial realizada em 28 de outubro contra o Comando Vermelho, que deixou 122 mortos nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, considerada a ação mais letal da história do país.

O levantamento mostra que a segurança pública aprofundou sua liderança entre os principais temores da população, abrindo a maior distância do ano em relação aos demais temas monitorados. De acordo com a Ipsos, além do impacto direto da operação no Rio, o debate público também foi impulsionado pela repercussão diária de matérias nas mídias sociais, rádios e tvs, que dá destaque durante todo o dia à ações do crime organizado, como também a pequenos delitos.

Exposição contínua na mídia contribui para crescimento

Para Marcos Calliari, CEO da Ipsos, a combinação entre confronto explícito, presença de forças federais, grande número de mortes e ampla cobertura jornalística contribuiu para elevar a percepção de insegurança. “A dimensão da ação, com fatalidades, fechamento de vias e repercussão contínua na imprensa, amplificou a sensação de urgência e risco”, afirma.

A operação também fortaleceu discursos de parlamentares de direita que defendem políticas de “linha-dura” contra o crime organizado. A discussão sobre o PL antifacção, que pode ir à votação nesta semana, ganhou fôlego no Congresso em meio à pressão dos Estados Unidos para que facções brasileiras sejam classificadas como organizações terroristas. No mês passado, os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), viajaram a El Salvador para discutir modelos de enfrentamento ao crime, onde elogiaram a política de segurança do presidente Nayib Bukele.

Pobreza e desigualdade preocupam menos

O segundo maior motivo de preocupação é a pobreza e a desigualdade social, mencionadas por 38% dos entrevistados, alta de cinco pontos na comparação com outubro. O tema saúde aparece logo depois, com 36%, influenciado, segundo a Ipsos, pela visibilidade recente de campanhas como Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul.

Já a corrupção perde espaço na lista de temores

A corrupção financeira e política recuou cinco pontos, chegando a 34%, apesar de permanecer entre os principais medos. Para Calliari, o resultado pode refletir uma diminuição momentânea de escândalos em evidência. “Há a hipótese de que casos recentes, como Banco Master e Grupo Fit, possam reacender o tema, o que avaliaremos na próxima onda do estudo”, diz.

Os impostos também tiveram queda na lista de preocupações, passando de 29% para 25%. Para os analistas, o movimento indica possível arrefecimento do debate tributário no noticiário, apesar das discussões em curso sobre justiça fiscal e mudanças no Imposto de Renda.

A pesquisa What Worries the World ouviu 25.143 pessoas em 30 países entre 24 de outubro e 7 de novembro. No Brasil, foram cerca de mil respondentes, todos participantes de um painel on-line. A Ipsos ressalta que, por causa do perfil mais urbano, conectado e de maior renda dos entrevistados, os resultados não representam estatisticamente a população brasileira como um todo, mas indicam tendências de opinião pública entre grupos mais engajados no debate digital.

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