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Prejuízo da Americanas quase triplica e vai a R$ 274 milhões no 2º trimestre

Americanas

Varejista reduz perdas na comparação com o início do ano, mas resultado negativo é quase três vezes o registrado no segundo trimestre de 2025; receita também recua

Cinco meses depois de solicitar o encerramento de sua recuperação judicial, a Americanas ainda enfrenta dificuldades para voltar ao lucro. A varejista registrou prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, segundo balanço divulgado pela companhia na noite desta quarta-feira (12).

Embora permaneça no vermelho, o resultado mostra uma melhora em relação aos três primeiros meses do ano, quando a empresa contabilizou perdas de R$ 329 milhões. Na comparação anual, porém, o cenário é menos favorável: o prejuízo é quase três vezes os R$ 98 milhões registrados entre abril e junho de 2025.

Além das perdas líquidas, indicadores importantes da operação também recuaram. A receita líquida alcançou R$ 3,3 bilhões, queda de 1,7% na comparação anual, enquanto as vendas nas mesmas lojas diminuíram 0,6%.

Ao apresentar os números, a companhia afirmou ter iniciado um “novo ciclo estratégico” depois do processo de reestruturação financeira provocado pela crise contábil revelada em janeiro de 2023.

“Estamos construindo uma nova Americanas, com mais clareza sobre o futuro, o papel que desejamos ocupar na vida dos milhões de clientes e o que vai nos levar até lá: disciplina financeira a partir do resultado operacional”, afirmou a administração da empresa no documento.

Resultado operacional cai mais de 50%

O Ebitda, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização e é utilizado como referência para avaliar o desempenho operacional das empresas, ficou em R$ 145 milhões entre abril e junho.

O valor representa uma redução de 51,5% em relação aos R$ 299 milhões registrados no segundo trimestre de 2025. O desempenho mostra que, apesar da redução do prejuízo em relação ao começo deste ano, a recuperação das operações ainda enfrenta obstáculos.

As vendas nas mesmas lojas, indicador conhecido como SSS, recuaram 0,6%. A queda ocorreu apesar de o trimestre ter sido marcado por períodos considerados relevantes para o varejo, com eventos sazonais como Páscoa, Copa do Mundo e comercialização de produtos de inverno.

Os números chegam em um momento de transição para a Americanas. Em março deste ano, a varejista informou ter cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação judicial que venciam até dois anos depois da homologação e protocolou o pedido de encerramento do processo. Posteriormente, a Justiça aceitou o encerramento, formalizando a saída da companhia da recuperação judicial.

Crise começou com rombo contábil em 2023

A trajetória que levou a Americanas a uma das maiores recuperações judiciais da história empresarial brasileira começou em 11 de janeiro de 2023. Naquela data, a companhia comunicou ao mercado ter identificado “inconsistências em lançamentos contábeis” estimadas inicialmente em aproximadamente R$ 20 bilhões.

Os problemas estavam relacionados a registros referentes aos nove primeiros meses de 2022 e a exercícios anteriores. A revelação desencadeou uma crise imediata na empresa e levou à saída do então presidente Sergio Rial, que havia assumido o comando apenas nove dias antes, e do diretor financeiro André Covre.

A Americanas informou na ocasião que havia identificado operações de financiamento de compras em valores semelhantes ao tamanho das inconsistências. A companhia era devedora de instituições financeiras, mas essas obrigações não estavam refletidas adequadamente nas demonstrações financeiras.

Parte relevante do problema estava relacionada ao chamado risco sacado, operação bastante utilizada pelo varejo. Nesse modelo, uma instituição financeira antecipa ao fornecedor o valor que deveria ser pago pela empresa e posteriormente recebe o dinheiro da varejista.

No caso da Americanas, essas obrigações não apareciam corretamente nos balanços, situação que reduzia artificialmente o endividamento apresentado pela companhia.

Também surgiram suspeitas relacionadas às chamadas verbas de propaganda cooperada (VPCs), incentivos comerciais concedidos por fornecedores aos varejistas.

Ações despencaram e dívidas superaram R$ 50 bilhões

A divulgação das inconsistências provocou uma reação imediata no mercado financeiro. Em 12 de janeiro de 2023, instituições colocaram os papéis da varejista sob revisão e a forte volatilidade levou a B3 a submeter as ações a leilão.

Ao final daquele pregão, os papéis da Americanas haviam despencado 77,33%, em uma das maiores perdas registradas em um único dia por uma companhia aberta brasileira.

Sergio Rial afirmou, naquele momento, que o problema não estava relacionado à inexistência dos valores, mas à forma como determinadas operações haviam sido contabilizadas ao longo dos anos.

Outro elemento que ampliou a crise foi a revelação de que executivos haviam vendido aproximadamente R$ 212 milhões em ações da companhia durante o segundo semestre de 2022, antes de as inconsistências se tornarem públicas. As operações levantaram suspeitas sobre eventual utilização de informações privilegiadas.

Em 13 de janeiro de 2023, a Justiça do Rio concedeu uma medida cautelar que protegeu temporariamente a companhia do vencimento antecipado de dívidas e suspendeu cobranças enquanto a administração avaliava os próximos passos.

A recuperação judicial foi requerida em 19 de janeiro, apenas oito dias depois da revelação do escândalo. Na ocasião, a Americanas informou possuir aproximadamente R$ 800 milhões em caixa, montante muito inferior aos R$ 8,6 bilhões apresentados no balanço referente ao terceiro trimestre de 2022.

Com o aprofundamento da crise, o processo passou a envolver dívidas superiores a R$ 50 bilhões e tornou-se um dos maiores casos de recuperação judicial do país.

Três anos depois, a empresa conseguiu deixar formalmente o processo de recuperação, mas os resultados do segundo trimestre mostram que a reconstrução financeira e operacional ainda está em andamento. A redução do prejuízo em relação ao início de 2026 representa um avanço, enquanto a piora na comparação anual e a queda do Ebitda evidenciam os desafios que permanecem para a varejista voltar a apresentar lucro de forma consistente.

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