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Portela conta a história do príncipe Bará e da resistência negra no Rio Grande do Sul

A Portela é a maior campeã do carnaval carioca com 22 títulos e vai em busca do 23º (Portela / Divulgação)

Com 22 títulos conquistados (o último foi em 2017), a Portela vai levará para a Marquês de Sapucaí, no domingo de carnaval (15 de fevereiro) o enredo “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, que irá homenagear o príncipe Custódio, figura histórica espiritual de origem africana que marcou a cultura gaúcha no século 19.

Portelenses estão animados e confiantes na conquista do título (Portela / Divulgação)

O enredo mostra que Custódio, reverenciado como líder religioso e símbolo de resistência, é apontado como responsável pela estruturação dos fundamentos do Batuque, principal religião de matriz africana praticada no sul do país. O enredo busca romper com a tradicional centralização das narrativas afro-brasileiras no eixo Rio-Bahia, lançando luz sobre a força da ancestralidade negra no Sul do Brasil.

Descentralização da histoiricidade

O desfile irá valorizar a ancestralidade negra do Rio Grande do Sul, centrando principalmente em Custódio Joaquim de Almeida (Príncipe Custódio) – Divulgação / Portela

“Nossa proposta é debater a descentralização da historicidade negra do Brasil, focando na formação do Rio Grande do Sul e promovendo a certeza que essa influência negra foi estimulada e organizada pelo Príncipe do Bará, o Custódio. A realeza africana, é parte indispensável da construção da identidade do povo gaúcho. Uma história que mistura personagens, fatos históricos, ficção, lenda, sonhos, utopias e ressignificação do Brasil”, destacou o carnavalesco André Rodrigues ao site da escola.

Ancestralidade negra no Rio Grande do Sul

A águia, sínbolo da Portela se destaca na Sapucaí (Divulgação)

O desfile irá valorizar a ancestralidade negra do Rio Grande do Sul, centrando principalmente em Custódio Joaquim de Almeida (Príncipe Custódio), líder religioso de resistência.  No enredo, a história é guiada pelo Negrinho do Pastoreio, atendendo a uma oração de Bará para revelar a herança cultural de Custódio.

Um dos objetivos do desfile é a descentralização das narrativas afro-brasileiras, geralmente focadas no eixo Rio-Bahia, e destacar a resistência negra gaúcha, destacando o assentamento de Bará no Mercado Público de Porto Alegre.

Veja o samba enredo da Portela

Autores: Val Tinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena

Intérprete: Zé Paulo Sierra

Enredo: O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”

Ae Oni Bará! Ae Babá Lodé!
A Portela reunida carregada no dendê
Sob o céu do Rio Grande
Tem reza pra abençoar
O príncipe herdeiro da coroa do Bará!

É Bará, é Bará… ôô!
Quem rege a sua coroa, Bará?
É o rei de Sapaktá
Alafiá do destino no Ifá!
Tem mistério que encandeia
Pro batuque começar
Sou mistério que encandeia
Pra Portela incorporar

Vai, Negrinho… vai fazer libertação
Resgatar a tradição
Onde a África assenta
Ó, corre gira, vem revelar
O reino de Ajudá
O Pampa é terra negra em sua essência

Alupo, meu senhor, alupô!
Vai ter xirê no toque do tambor
Alumia o cruzeiro… chave de encruzilhada
É macumba de Custódio no
Romper da madrugada

Curandeiro, feiticeiro,
Batuqueiro precursor
Pôs a nata no gongá (ô, iaiá!)
Fundamento em seu terreiro
Resiste a fé no orixá
Da crença no Mercado
Ao rito do Rosário
Ainda segue vivo o seu legado
Portela… tu és o próprio trono de Zumbi
Do samba, a majestade em cada ori
Yalorixá de todo axé
Enquanto houver um pastoreio
A chama não apagará
Não há demanda que o povo
Preto não possa enfrentar

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