Plataforma antimanicomial é lançada na ALERJ

agosto 11, 2018 /

 

O manicômio era um lugar terrível. Era proibido falar, eles vigiavam. Felizmente, esse lugar de atendimento em saúde mental tem mudado. Agora, a gente entra em sintonia novamente com o sentido daquilo que nós poderíamos ter perdido, que é a nossa unidade, nosso sentimento, nosso afeto.” A fala de Milton Freire, ex-interno em um hospital psiquiátrico e atualmente usuário de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), reflete a importância da luta antimanicomial, que na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) é representada pela Frente Parlamentar em Defesa da Reforma Psiquiátrica.

Para incentivar a atuação política voltada para o fortalecimento da saúde mental humanizada, o grupo lançou nesta sexta-feira (10/08) a Plataforma Eleitoral Antimanicomial. O documento reúne propostas como a ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), a melhoria de espaços como os CAPS e as Unidades de Acolhimento (UA) e a garantia ao passe livre no transporte público para usuários desses serviços.

A redação do documento contou com a participação popular, através de uma plataforma na internet. A primeira parte do texto introduz os pontos centrais da plataforma, como a defesa de políticas públicas para a saúde mental baseadas nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Já a segunda detalha temas importantes para pessoas recém-envolvidas na luta antimanicomial, como a substituição dos hospitais psiquiátricos e a mobilização contra o preconceito sofrido por usuários desses serviços.

Segundo o professor Eduardo Vasconcelos, cocriador da plataforma, o documento se dirige a todos os candidatos ao Legislativo e ao Executivo que desejarem atuar pela humanização do tratamento psiquiátrico. “O objetivo é divulgar a nossa luta e, mais tarde, servir como um guia de ação para esses candidatos que forem efetivamente eleitos”, explica.

A importância do tratamento humanizado é reforçada por Iracema Polidoro, presidente da Associação de Saúde Mental Juliano Moreira (Apacojum). Durante vinte anos, ela conviveu com as dificuldades enfrentadas por sua tia, diagnosticada com esquizofrenia e internada na antiga Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. “Eu conheci o hospício em 1978 e aquilo era um campo de concentração, não um hospital. O paciente ficava jogado. O carinho e o respeito à pessoa fazem toda a diferença no acompanhamento”, relata.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.