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PF identifica R$ 80 milhões em emendas do União Brasil para Belford Roxo na gestão de Canella

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Investigação encontrou anotação com nomes dos deputados Pedro Lucas Fernandes e Gabriel Mota no celular do ex-prefeito, preso em operação contra suspeitas de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal identificou R$ 80 milhões em emendas parlamentares de comissão destinadas a Belford Roxo, na Baixada Fluminense, durante a gestão do ex-prefeito Márcio Canella (União Brasil), preso nesta quinta-feira (15) na oitava fase da Operação Unha e Carne. Os recursos foram indicados pela liderança do União Brasil na Câmara dos Deputados, mas os registros não identificam individualmente os parlamentares responsáveis pelas indicações.

A informação consta da representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que fundamentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes de decretar a prisão preventiva do ex-prefeito.

Os investigadores também encontraram no celular de Canella uma anotação que menciona emendas parlamentares e dois nomes associados pela PF a deputados federais do União Brasil. O registro é considerado um dos indícios da articulação política atribuída ao ex-prefeito.

Apesar das suspeitas, os documentos não demonstram que os R$ 80 milhões tenham sido desviados, nem estabelecem ligação financeira direta entre as emendas e o suposto esquema de lavagem de dinheiro investigado pela corporação.

Anotação no celular cita deputados federais

Entre os elementos apresentados pela Polícia Federal está uma anotação localizada na agenda do celular de Canella com os seguintes dizeres: “Emendas / 20 Pedro 20 Mota”.

Os investigadores associam os nomes aos deputados federais Pedro Lucas Fernandes e Gabriel Mota, ambos do União Brasil.

A referência aparece na página 48 da representação policial e também foi reproduzida na decisão de Alexandre de Moraes, assinada na terça-feira (13).

Entretanto, os documentos não esclarecem o significado dos números 20 que acompanham os nomes. Também não comprovam que os dois parlamentares tenham participado da indicação dos R$ 80 milhões destinados ao município.

A PF afirma que as verbas foram registradas como “emendas de liderança”, modalidade em que não houve identificação nominal dos deputados responsáveis pelas indicações.

Na representação, os investigadores fazem uma comparação com práticas mencionadas em reportagens sobre outro esquema investigado pela corporação, envolvendo Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. A referência, porém, não comprova qualquer ligação entre os dois casos.

PF investiga ligação de Canella com rede de postos

A identificação das emendas ocorreu durante a investigação sobre uma suposta organização criminosa que utilizaria empresas do setor de combustíveis para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita.

Segundo a Polícia Federal, Márcio Canella teria desempenhado papel estratégico na articulação política do grupo, mantendo interlocução com empresários, agentes públicos e integrantes de estruturas administrativas.

Anotações manuscritas encontradas na residência de outros investigados mencionam pagamentos recorrentes atribuídos ao ex-prefeito, nos valores de R$ 51 mil, R$ 31 mil e R$ 57 mil.

O último valor aparece associado ao codinome “Amigo”. De acordo com os investigadores, os recursos teriam relação com atividades econômicas da rede de postos de combustíveis.

Outro ponto da investigação envolve a participação societária de Canella na Brumar Empreendimentos e Participações, ao lado de Bruno Viana de Souza.

A PF sustenta que essa relação estabelece uma conexão entre o ex-prefeito e o Posto de Gasolina São Sebastião de Belford Roxo, empresa que teria realizado mais de R$ 10 milhões em depósitos em espécie comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Os relatórios de inteligência financeira também apontam movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões envolvendo centenas de pessoas físicas e jurídicas entre 2020 e 2026, principalmente no setor de combustíveis.

Esse valor corresponde ao conjunto das operações financeiras examinadas pelos investigadores e não deve ser confundido com os R$ 80 milhões em emendas parlamentares.

Destino dos R$ 80 milhões ainda não foi esclarecido

Embora a Polícia Federal tenha identificado a destinação das emendas a Belford Roxo, a documentação apresentada ao STF não informa quais obras, serviços ou projetos seriam beneficiados.

Também não há detalhamento sobre quanto dos R$ 80 milhões foi efetivamente transferido aos cofres municipais.

A ausência dessas informações impede estabelecer, com base nos documentos divulgados, se os recursos foram executados ou se houve irregularidades em sua aplicação.

Na avaliação dos investigadores, as referências às emendas e aos contatos políticos ajudam a contextualizar o papel atribuído a Canella na suposta organização criminosa.

O ministro Alexandre de Moraes considerou os elementos apresentados pela PF ao analisar o pedido de prisão preventiva.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, havia se manifestado favoravelmente às medidas cautelares em parecer encaminhado ao Supremo em 14 de setembro.

Além de Canella, a decisão de Moraes determinou a prisão de outros investigados, entre eles o ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro Marcus Amim.

Por meio de sua advogada, Sheila Lustoza, o ex-prefeito afirmou que “confia em Deus, na Justiça e tem certeza de que tudo será esclarecido”.

Operação termina com seis presos e apreensão de bens de luxo

A oitava fase da Operação Unha e Carne terminou com seis pessoas presas, segundo balanço divulgado pela Polícia Federal na noite de quinta-feira.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam 12 veículos de luxo, 13 celulares, joias, relógios, aproximadamente R$ 90 mil em espécie e 16 armas, além de munições.

Também foram recolhidos equipamentos eletrônicos, mídias digitais e documentos que poderão auxiliar no aprofundamento das investigações.

O material será analisado para identificar eventuais conexões entre as movimentações financeiras suspeitas, as empresas investigadas e os agentes públicos mencionados nos autos.

A investigação continua em andamento. As suspeitas apresentadas pela Polícia Federal ainda dependem de apuração e não representam condenação judicial dos envolvidos.

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