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PF apura contrato da Caixa com empresa de consignados; Banco Pine nega vínculo com investigação

Contratação de correspondente master com capital mínimo e sem histórico no setor levou a apurações internas, suspensão temporária e investigação federal

A Polícia Federal abriu investigação para apurar a contratação, pela Caixa Econômica Federal, de uma empresa especializada em empréstimos consignados, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento. O caso envolve a CBA Correspondente Bancário Aqui, administrada por Victor Guidotti Andrio e Fernando Perrelli Júnior, ambos réus na Justiça por suspeitas de fraudes semelhantes em outras instituições financeiras. As informações são da coluna de Natália Portinari, do portal UOL.

Inicialmente, a reportagem mencionou vínculos societários indiretos entre a CBA e empresas ligadas ao Banco Pine. No entanto, após contato da assessoria de imprensa do banco, alguns pontos foram esclarecidos e atualizados (veja atualização ao final do texto).

Procurada, a Caixa informou ao UOL que a contratação “seguiu todos os ritos de governança e adotou o modelo padrão aprovado”. Segundo o banco, “o sistema utilizado incluiu cláusulas de compliance, integridade, prevenção à lavagem de dinheiro, combate a fraudes e responsabilidade solidária entre CBA Master e Substabelecidos”.

A instituição acrescentou ainda que “a estatal possui 7,9 mil Correspondentes Caixa Aqui espalhados por todo o país. A remuneração paga ao correspondente segue os limites da Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 4.935/2021”.

Correspondente master e modelo de negócio

A CBA foi contratada na categoria de Correspondente Caixa Aqui Master, modalidade que autoriza a empresa a subcontratar outros correspondentes bancários. Na prática, a CBA atua como intermediária, recrutando parceiros para fechar contratos de empréstimo consignado junto a trabalhadores da ativa e aposentados, recebendo comissão sobre cada operação realizada.

Criada em novembro de 2024, a empresa tinha capital social de R$ 1.000 e não possuía histórico de atuação no setor. Na constituição inicial, a única sócia era a BYX Capital. O contrato com a Caixa foi formalizado em dezembro do mesmo ano, embora a operação efetiva tenha começado apenas meses depois.

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, as normas internas da Caixa exigem experiência comprovada para que um correspondente seja habilitado como master, requisito que a CBA não atendia no momento da contratação.

Suspensão e apurações internas

Ainda em 2024, surgiram suspeitas de irregularidades relacionadas ao consentimento de clientes que passaram a ter parcelas descontadas diretamente em folha. As dúvidas motivaram apurações internas e levaram à suspensão temporária do contrato com a CBA, segundo relatos de pessoas com conhecimento do caso.

A punição, no entanto, foi revertida posteriormente pela gerência responsável pelos correspondentes da Caixa. O banco afirma que revisou as operações de crédito consignado e que não identificou irregularidades.

Fontes com acesso aos dados internos, por outro lado, sustentam que o sistema de verificação de identidade dos clientes é frágil, o que poderia facilitar fraudes, inclusive contratações sem autorização expressa dos beneficiários.

Investigação da Polícia Federal

Diante das suspeitas, a Polícia Federal instaurou investigação e, em outubro do ano passado, enviou um ofício à Caixa solicitando esclarecimentos formais. Os investigadores pediram informações detalhadas sobre os processos que levaram à contratação da CBA, a identificação dos servidores responsáveis e a existência de eventuais procedimentos administrativos ou sancionadores.

Em dezembro, a PF voltou a cobrar respostas e negou à Caixa acesso à denúncia que deu origem à investigação. Até o momento, considerando cerca de três meses de operação efetiva, descontado o período de suspensão, a CBA já recebeu aproximadamente R$ 1,8 milhão em comissões pagas pela Caixa.

Mudanças societárias e histórico dos sócios

Após a assinatura do contrato com a Caixa, a CBA passou por alterações societárias. Em janeiro de 2025, a empresa foi transformada em sociedade anônima, formato que não exige a divulgação pública dos acionistas. Segundo informações disponíveis, a empresa tem como sócios Fernando de Araújo Perrelli Júnior e Victor Guidotti Andrio.

Ambos respondem a processos judiciais nos quais são acusados de comercializar empréstimos consignados sem o consentimento dos devedores, inclusive em casos envolvendo pessoas já falecidas. Eles são réus por estelionato no Tribunal de Justiça de São Paulo em uma dessas ações. Procurados, não responderam aos contatos da reportagem.


Atualização

Após a publicação da matéria, o Banco Pine, por meio de sua assessoria de imprensa, enviou esclarecimentos oficiais:

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