Pesquisa do Cultura na Faixa: perfil social e racial dos moradores do Geneciano, em Nova Iguaçu, revela que 75% se autodeclararam pretos ou pardos

Aula de música e de trança africana em Geneciano. Fotos: Walace Santos e PMNI.

O conjunto de dados revela um território formado majoritariamente por famílias negras, jovens e historicamente enraizadas, cujas condições de vida são atravessadas por desigualdades estruturais, mas também por vínculos comunitários consolidados

O levantamento realizado em janeiro de 2026 pela assessora de Pesquisa Social do projeto Cultura na Faixa, Viviane Gonzales, no bairro de Geneciano, em Nova Iguaçu, traça um retrato detalhado de sua população e revela características centrais de um território periférico da Baixada Fluminense: predominância de moradores negros e vínculos territoriais duradouros.

Em um município de cerca de 786 mil habitantes e um dos maiores contingentes de população negra do estado, com mais de meio milhão de moradores pretos e pardos, o Geneciano sintetiza, em escala de bairro, a centralidade da população negra na Baixada Fluminense.

Do ponto de vista racial, 75% dos moradores que responderam à pesquisa se autodeclararam pretos ou pardos, sendo 46% pardos e 29% pretos. Pessoas brancas representam 25% do total. Não houve autodeclaração indígena nos formulários, apesar do relatório apontar a existência de moradores indígenas no território, o que sugere possíveis barreiras simbólicas ou culturais à autodeclaração.

Em junho do ano passado o prefeito de Nova Iguaçu, Dudu Reina, bateu bola com os jovens do Geneciano durante a inauguração de um espaço de lazer , uma parceria com a Transpetro, na comunidade. Foto: Divulgação/PMNI.

Na Baixada Fluminense como um todo, cerca de 69% da população se declara preta ou parda, o que faz da região o principal polo negro do estado do Rio de Janeiro; nesse cenário, o percentual de 75% de moradores negros no Geneciano reforça o caráter profundamente negro do território.

Outro dado relevante é o tempo de residência. 68% dos respondentes moram no Geneciano há mais de dez anos, indicando estabilidade territorial e forte vínculo com o bairro. Essa permanência prolongada ajuda a explicar a existência de redes familiares extensas, circulação cotidiana entre vizinhos e manutenção de práticas culturais tradicionais, mesmo em um contexto de escassez de políticas públicas continuadas.

Para Viviane, do Cultura na Faixa, os dados mostram que o Geneciano é um território majoritariamente negro, com famílias que constroem sua trajetória no bairro ao longo de décadas, o que evidencia vínculos comunitários consistentes. “O tempo prolongado de residência indica não apenas permanência, mas também a formação de redes de apoio, circulação cotidiana entre vizinhos e manutenção de práticas culturais que atravessam gerações”, aponta.

O conjunto desses dados revela um território formado majoritariamente por famílias negras, jovens e historicamente enraizadas, cujas condições de vida são atravessadas por desigualdades estruturais, mas também por vínculos comunitários consolidados. “Esse enraizamento se dá em um município de médio desenvolvimento humano e renda per capita relativamente baixa, onde estudos apontam que a população preta e parda está mais exposta a violações de direitos, precariedade urbana e insegurança socioeconômica”, concluiu Viviane.

Os dados foram coletados a partir de formulários aplicados junto à comunidade no contexto do projeto Cultura na Faixa, promovido pela ONG Se Essa Rua Fosse Minha (SER), por meio de convênio com a Transpetro.

Sobre o Cultura na Faixa 

O Projeto Cultura na Faixa é uma iniciativa sociocultural e educacional voltada para comunidades situadas nas faixas de dutos da Transpetro, na Baixada Fluminense (RJ). Seu objetivo é fortalecer vínculos comunitários, promover a convivência em grupo e prevenir situações de risco social, criando espaços seguros e colaborativos. Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, o projeto promove cultura de paz e desenvolvimento comunitário, ampliando seu impacto por meio de parcerias com a sociedade civil e o setor privado. Cada área atendida conta com uma base de apoio comunitária, garantindo presença fixa e reforçando o sentimento de pertencimento junto à comunidade.

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