Papa Leão XIV afirma que Vaticano não vai permanecer ‘de braços cruzados’ diante de violações de direitos humanos

Declaração a embaixadores em início de missão junto à Santa Sé reforça alinhamento com política do antecessor, Papa Francisco

O Papa Leão XIV afirmou que o Vaticano não irá permanecer “de braços cruzados” diante de violações de direitos humanos pelo mundo, exigindo atenção aos pobres e marginalizados. A declaração foi feita durante uma reunião com embaixadores que estão em início de missão junto à Santa Sé, e reforça o alinhamento do Pontífice ao seu antecessor, Papa Francisco, na defesa dos vulneráveis.

— Quero reafirmar que a Santa Sé não ficará de braços cruzados diante das graves desigualdades, das injustiças e das violações de direitos humanos fundamentais em nossa comunidade internacional, cada vez mais fraturada e sujeita a conflitos — disse Leão XIV aos embaixadores de Uzbequistão, Moldávia, Bahrein, Sri Lanka, Paquistão, Libéria, Tailândia, Lesoto, África do Sul, Fiji, Micronésia, Letônia e Finlândia.

É uma das primeiras vezes que o Sumo Pontífice americano, naturalizado peruano, expressa de forma tão clara sua opinião desde que foi eleito em maio para liderar a Igreja Católica, após o falecimento do Papa Francisco.

A diplomacia da Santa Sé, afirmou o Papa, está “constantemente orientada ao serviço da humanidade, principalmente apelando às consciências e permanecendo atenta à voz dos pobres, das pessoas em situação de vulnerabilidade ou marginalizadas”.

Ao destacar as desigualdades, Leão XIV segue a linha de seu antecessor argentino, quanto às prioridades: Francisco foi um firme defensor dos direitos dos migrantes e de outras populações vulneráveis.

O líder espiritual de 1,4 bilhão de católicos denunciou o tratamento que está sendo dado aos migrantes nos EUA sob a presidência de Donald Trump — que classificou como “extremamente desrespeitoso” no mês passado.

Além disso, Leão XIV, que passou quase vinte anos como missionário no Peru, lembrou o décimo aniversário da beatificação dos mártires de Chimbote, no Peru: os missionários Michał Tomaszek e Zbigniew Strzałkowski, da Polônia, e o italiano Alessandro Dordi, assassinados pela guerrilha maoísta Sendero Luminoso em agosto de 1991.

Ele considerou que “suas vidas, assim como seu martírio, podem ser hoje um chamado à unidade e à missão para a Igreja universal”.

— Em um tempo marcado por diversas sensibilidades, no qual com facilidade se cai em dicotomias ou dialéticas estéreis, os beatos de Chimbote nos lembram que o Senhor é capaz de unir o que nossa lógica humana tende a separar — ressaltou.

Com informações do O Globo

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