Nova Iguassu Online

Paes, Benedita, Pedro Paulo e Ceciliano são recebidos por jovens da Casa do Menor com o batuque do Olodum e espetáculo de dança

Candidatos foram recebidos por jovens com música e dança durante visita à instituição, que há 40 anos transforma vidas em Miguel Couto; Eduardo Paes visitará amanhã as obras de construção do novo batalhão da Policia Militar no bairro de Santa Rita

Em meio à campanha eleitoral, o candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes (PSD), a candidata ao Senado Benedita da Silva (PT), o também candidato ao Senado Pedro Paulo (PSD) e o candidato a deputado estadual André Ceciliano (PT) visitaram, na tarde desta terça-feira (25), a Casa do Menor São Miguel Arcanjo, em Miguel Couto, Nova Iguaçu. Antes mesmo de qualquer discurso político, foram os jovens que deram o tom da visita. Com música, dança e percussão, eles receberam com animação os políticos.

Whatsapp Image 2026 08 25 At 20.30.12

Os convidados atravessaram um corredor formado pelos próprios jovens até o auditório da instituição, em uma recepção marcada por alegria e emoção. O encontro também reuniu padres da Diocese de Nova Iguaçu, além dos prefeitos de Paracambi, Andrezinho Ceciliano, e de Itaguaí, Haroldinho.

A recepção aconteceu em um ano simbólico para a Casa do Menor, que completa quatro décadas de atuação. Fundada em 1986 pelo padre italiano Renato Chiera, a instituição nasceu com a missão de acolher crianças e adolescentes em situação de rua e, ao longo dos anos, ampliou sua atuação para a formação profissional, assistência social e criação de oportunidades para jovens. Mais de 100 mil crianças, adolescentes e jovens já passaram pelos projetos da organização no Brasil.

Hoje, somente a unidade de Miguel Couto atende cerca de 1.150 pessoas.

A programação começou como começa todos os dias na Casa do Menor: com . Os presentes saudaram a Santíssima Trindade, fizeram uma oração e acompanharam a leitura e a meditação do Evangelho do dia, conduzida pelo padre Renato.

A passagem bíblica serviu também como uma espécie de fio condutor para o encontro. Ao falar sobre Jesus e os fariseus, o sacerdote lembrou que o problema não estava em praticar a religião, mas em cuidar das aparências e esquecer aquilo que realmente importa: justiça, misericórdia e fidelidade.

A reflexão ganhou um significado ainda maior diante da presença de candidatos em plena campanha eleitoral.

“Deus não olha as aparências, olha o coração”, lembrou padre Renato, ao questionar como cada pessoa trata o próximo. Para ele, a mensagem é especialmente atual em um mundo marcado pela imagem, pelas redes sociais e pela construção de versões idealizadas de nós mesmos.

Depois da oração, veio um dos momentos mais simbólicos da manhã: o “dado do amor”. Três jovens, Eduardo Paes e Benedita lançaram o dado, que trazia diferentes palavras e atitudes relacionadas ao amor. A face sorteada trouxe uma das mensagens mais difíceis: “amar o inimigo”. Paes brincou dizendo que talvez aquela fosse uma tarefa para depois das eleições. O comentário arrancou risos, mas a mensagem permaneceu. Em uma instituição que diariamente tenta oferecer alternativas à violência, o gesto ganhou um significado que ultrapassava a brincadeira.

“Nosso partido é a vida”

Ao falar aos convidados, padre Renato reforçou que a Casa do Menor não pertence a partido político.

“Vocês entenderam que nós não temos partido político. O nosso partido é a vida. São as crianças, adolescentes, jovens, a família e o povo de rua”, afirmou.

Aos 84 anos e há 48 no Brasil, o sacerdote italiano, conhecido pelo trabalho com pessoas em situação de rua e dependência química, mantém o olhar voltado para as periferias.

Segundo ele, a instituição está presente em quatro estados brasileiros — Rio de Janeiro, Ceará, Alagoas e Paraíba — além de desenvolver ações na África e na Itália.

Padre Renato também destacou a missão da Casa do Menor com uma frase: “A violência é um grito de quem não se sente filho amado e de quem não tem perspectiva de futuro.”

A fala ganha ainda mais força diante da realidade vivida pela própria instituição. Segundo Lucinha, diretora da Casa do Menor, a manhã de hoje começou com preocupação. Um confronto aconteceu nas proximidades, na região conhecida como Buraco do Boi, ao lado da instituição. Por segurança, havia o receio de que os alunos sequer conseguissem chegar às atividades.

Mesmo diante dessa realidade, os jovens estavam ali. Cantando, tocando, dançando e recebendo os visitantes.

“É muita dificuldade, mas a gente acredita na vida”, resumiu Lucinha.

Benedita e a história com a instituição

A candidata ao Senado Benedita da Silva chegou à Casa do Menor acompanhada de uma relação que vai além da campanha eleitoral. Desde 2016, ela mantém um histórico de indicação de emendas parlamentares para a instituição. Entre 2016 e 2024, foram seis emendas, todas pagas, que somam R$ 1,25 milhão.

Aos 84 anos, Benedita falou também a partir da própria trajetória. Criada na comunidade do Chapéu Mangueira, no Rio, ela viveu 57 anos em uma favela e trabalhou como servente de escola e auxiliar de enfermagem antes de ingressar na vida pública.

“Eu cresci na comunidade do Chapéu Mangueira e morei na favela por 57 anos. Hoje, com 84, reconheço o quanto projetos que tirem as crianças da rua são importantes para oferecer oportunidade e um futuro melhor para a nossa juventude”, afirmou.

Paes promete parceria com a Casa do Menor

Eduardo Paes também falou sobre a importância da atuação de instituições como a Casa do Menor para alcançar pessoas que, muitas vezes, não são alcançadas pelas estruturas tradicionais do poder público.

Antes, porém, arrancou risadas ao brincar sobre o terreno do Gasômetro, destinado ao Flamengo.

“Faltou só eu ter passado no confessionário antes, porque eu cometi um pecado: dei o terreno do Gasômetro para o Flamengo. Isso é inaceitável, imperdoável”, brincou.

Depois do momento descontraído, o tom mudou.

Paes afirmou sentir orgulho ao ver a Igreja atuando diretamente nas comunidades e periferias, especialmente junto às pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

“Como é bom sentir orgulho da minha Igreja. Como é bom ver a nossa Igreja voltando para a base, para as comunidades, para as periferias. Fazendo valer de fato aquele que é o comando de Jesus: cuidar dos mais pobres, dos desassistidos, dos mais carentes, de quem mais precisa”, declarou.

O candidato reconheceu as limitações das políticas públicas quando aplicadas de maneira ampla e defendeu uma atuação conjunta entre o Estado e organizações da sociedade civil.

Segundo ele, áreas como dependência química e população em situação de rua exigem um trabalho capaz de chegar ao indivíduo.

Estou aqui, além de prometer diante do senhor, padre Renato, do altar e de um monte de câmeras, se a gente for bem-sucedido nessa missão, o Governo do Estado vai conveniar com vocês, vai dar recursos, ajudar aqui para que a gente possa ampliar, melhorar, dar conforto e tranquilidade para que vocês sigam essa missão de paz e para melhorar a vida das pessoas. Esse é meu compromisso aqui”, afirmou.

Ao Nova Iguassu Online, ao ser perguntado o que levaria de aprendizado da Casa do Menor no dia de hoje para um eventual governo do Estado, Eduardo falou: “[Vou levar] um super exemplo de uma dessas iniciativas que tranformam a vida das pessoas, que está consolidada, que tem muita história, que já ajudou muita gente. Eu acho que é papel do Estado, do governo, ajudar instituições como essa a avançar ainda mais. Então pode ter certeza que a gente vai ajudar muito a Casa do menor“.

O candidato a deputado estadual André Ceciliano, que articulou a visita e conhece a instituição há anos, também defendeu o fortalecimento de projetos como o desenvolvido pela Casa do Menor.

“É uma instituição que acolhe, capacita e abre caminhos para crianças e jovens que precisam de oportunidades. Precisamos fortalecer iniciativas como essa e ampliar as políticas de assistência social para garantir um futuro melhor para a nossa juventude”, disse.

Jovens encerram encontro com arte e expressão

Depois das falas, os políticos foram convidados a irem para uma outra sala, onde os adolescentes e jovens da Casa do Menor tomaram o palco em uma apresentação que reuniu expressão corporal, dança e música. Em movimentos fortes, retrataram a violência, a tristeza e as dificuldades presentes em sua realidade, mas também a força e a esperança de quem acredita na possibilidade de um futuro diferente.

O momento foi um dos mais emocionantes da visita. Por meio da arte, os jovens transformaram em expressão sentimentos e experiências que muitas vezes não cabem em palavras, mostrando que, mesmo diante de uma realidade marcada pela violência, existem outros caminhos possíveis.

https://novaiguassuonline.com.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Video-2026-08-25-at-20.26.18.mp4

Um encontro que terminou falando de futuro

No fim, mais do que discursos eleitorais, a tarde deixou uma mensagem que parecia atravessar todos os presentes: a de que, em lugares onde a violência insiste em ocupar espaço, também é preciso construir oportunidades.

Na Casa do Menor, essa construção acontece todos os dias. Às vezes começa com uma oração. Outras vezes, com uma aula, um curso profissionalizante, uma música, uma dança ou simplesmente com a possibilidade de um jovem acreditar que existe um caminho diferente.

E, hoje, enquanto do lado de fora a realidade da violência lembrava que os desafios continuam, dentro da instituição os jovens cantavam, tocavam e sorriam.

Padre Renato resumiu o espírito da Casa do Menor ao falar sobre o dado lançado pelos jovens todos os dias:

“Enquanto lá fora muitos ensinam a odiar e matar, nós aqui todos os dias jogamos uma palavrinha do dado do amor para ensinar a amar.”

Sair da versão mobile