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Operação da Civil mira suposto esquema de corrupção na Câmara de Japeri

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Rogério Gomes Castro (PSD), presidente da Casa é apontado como principal articulador da estrutura de compra de apoio político

Uma operação da Polícia Civil apura um suposto esquema de corrupção e compra de apoio político na Câmara Municipal de Japeri, na manhã desta sexta-feira (21). As investigações apontam que teriam sido oferecidos até R$ 400 mil e cargos comissionados para quem se juntasse ao grupo. O objetivo seria tirar a prefeita Fernanda Ontiveros (PT) do poder.

Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. A ação foi batizada de “Operação Preço do Poder”.

De acordo com as investigações, Rogério Gomes Castro (PSD), presidente da Câmara de Japeri, é apontado como o principal articulador do esquema. Segundo a polícia, a suspeita é de que ele oferecia vantagens econômicas e distribuía cargos comissionados ocupados por pessoas indicadas pelos próprios vereadores beneficiários.

Os indicados chegavam a ganhar salários de mais de R$ 10 mil sem efetiva prestação de serviços. A prática é conhecida como “servidores fantasmas”. Além da remuneração, eles podiam utilizar a estrutura administrativa da Câmara para o custeio de vantagens indevidas.

Entre os investigados, está o vereador Mateus Coutinho Ferraz (PT) por supostamente participar do esquema. Para ele, teria sido prometido o pagamento de R$ 400 mil para que permanecesse alinhado ao grupo comandado por Rogério.

A operação também investiga as participações de Carlos Alexandre Nascimento da Silva, conhecido como “Neném”, nomeado para cargo comissionado e apontado como intermediador operacional e financeiro, e Leonardo Montalvão Teixeira, assessor parlamentar.

A polícia identificou conversas entre Mateus e Leonardo nas quais o vereador solicitava auxílio financeiro e relatava dificuldades econômicas.

Linha do tempo

– Em 2 de março, Mateus chegou a dizer “vai dar ruim aqui”, caso a ajuda financeira não fosse providenciada.

– No dia 7 de abril, o vereador enviou nova mensagem solicitando auxílio financeiro.

– Em 14 de abril, Carlos Alexandre teria sido nomeado para cargo em comissão na Câmara.

– Em 20 de abril, Mateus disse a Leonardo que estava precisando de R$ 14 mil.

– Poucos dias depois, em 28 de abril, o vereador relatou novas dificuldades financeiras, dizendo que um credor havia comparecido à Câmara para cobrá-lo. No mesmo dia, encaminhou a Leonardo uma foto, em visualização única, da tela de seu telefone com a anotação “Neném me ligou oferecendo 400k para ficar com o Rogerinho. Disse que resolve meu problema na hora”. O assessor deixou a imagem salva ao fazer um print.

– No início de maio, no dia 7, Mateus comunicou aos integrantes do grupo de WhatsApp denominado “Base Atual” que não integrava mais a base governista.

– Poucos dias depois, em 14 de maio, Rogério submeteu à Câmara a proposta de alteração da Lei Orgânica do Município sobre a sucessão do Chefe do Poder Executivo em caso de vacância, prevendo eleição indireta pela Casa. A proposta foi aprovada por oito votos favoráveis e três contrários, tendo Mateus votado favoravelmente à alteração.

– No dia seguinte, em 15 de maio, foi protocolado pedido de afastamento da Prefeita Fernanda Ontiveros.

A ação desta sexta-feira busca coletar aparelhos celulares, computadores, tablets, mídias de armazenamento, documentos e outros elementos relacionados às condutas investigadas dos alvos. Os materiais eventualmente apreendidos serão submetidos à análise pericial, para identificar novas informações que possam esclarecer a dinâmica dos fatos, a participação dos investigados e a eventual existência de outros envolvidos.

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