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Operação contra o Comando Vermelho provoca manhã de tensão no Santa Marta com tiros e explosões

Operacao Santa Marta

Polícia Civil mira estrutura do tráfico na comunidade de Botafogo e cumpre mandados contra 44 investigados por ligação com a facção criminosa

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira, uma ampla operação na comunidade Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para cumprir mandados judiciais contra integrantes do Comando Vermelho (CV). Segundo reportagem do jornal O Globo, a ação foi marcada por intensa troca de tiros, explosões e forte presença policial, provocando momentos de tensão entre moradores da região e reflexos no trânsito de bairros vizinhos.

Desde as primeiras horas do dia, relatos de disparos ecoaram não apenas em Botafogo, mas também em áreas próximas, como Humaitá, Laranjeiras e Copacabana. Moradores afirmaram ter ouvido uma sequência de tiros e explosões enquanto helicópteros da Polícia Civil sobrevoavam a região.

A ofensiva tem como alvo suspeitos investigados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo a corporação, as investigações identificaram 44 integrantes da facção criminosa que atua na comunidade.

 

Moradores relatam cenário de guerra

Os relatos de quem vive na região descrevem uma movimentação policial incomum e momentos de apreensão.

“Foi muito tiro com bomba… loucura. Nunca escutei isso por aqui”, afirmou um morador ao Globo.

Outro residente relatou surpresa diante da dimensão da operação e disse que “nunca viu uma movimentação assim”.

Testemunhas informaram que dezenas de agentes foram mobilizados para a ação. De acordo com moradores, pelo menos 22 viaturas da Polícia Civil estavam concentradas na Praça Corumbá, utilizada como ponto de apoio para a operação, recebimento de presos e organização das equipes em campo.

Além da presença policial na comunidade, moradores também relataram grande circulação de viaturas pelas ruas próximas aos acessos do Dona Marta. Segundo os relatos, mais de dez veículos da corporação seguiram em direção à favela com sirenes acionadas.

A movimentação provocou impactos no trânsito da Zona Sul. Motoristas enfrentaram retenções e filas na Rua São Clemente durante a manhã, em razão do deslocamento das equipes policiais e das restrições de circulação em alguns pontos da região.

Investigação durou quase dois anos

A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela 26ª Vara Criminal da Capital.

Segundo a Polícia Civil, a investigação foi desenvolvida ao longo de aproximadamente 22 meses e permitiu identificar uma estrutura organizada voltada ao comércio ilegal de drogas dentro da comunidade.

As apurações apontam que o grupo criminoso possuía divisão de tarefas entre seus integrantes, com atuação coordenada para garantir o funcionamento das atividades ilícitas na região.

Ao todo, 44 suspeitos foram identificados ao longo do trabalho investigativo.

Liderança da facção foi mapeada

De acordo com a Polícia Civil, a liderança da organização criminosa estaria nas mãos de Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido pelos apelidos de “Ronaldinho Tabajara” e “R9”. Atualmente, ele está custodiado em um presídio federal de segurança máxima em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

As investigações indicam ainda que Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como “Mexicano”, seria o responsável por coordenar as atividades diárias da facção dentro da comunidade, mantendo o funcionamento da estrutura criminosa local.

A corporação informou que a operação busca não apenas cumprir as ordens judiciais já expedidas, mas também enfraquecer a atuação da organização criminosa, coletar novas provas e aprofundar as investigações sobre a rede de tráfico instalada no Dona Marta.

Objetivo é desarticular o grupo criminoso

Segundo a Polícia Civil, a ofensiva faz parte de uma estratégia para desmontar a estrutura operacional do Comando Vermelho na comunidade e identificar novos envolvidos nas atividades ilícitas.

A corporação destacou que a ação foi planejada com base nas informações reunidas ao longo da investigação e que os trabalhos seguem em andamento para o cumprimento dos mandados e análise dos materiais apreendidos.

Mais cedo, a Polícia Militar informou que não realizava operação própria na região, indicando que toda a ofensiva estava sob responsabilidade da Polícia Civil.

Até a última atualização, a corporação não havia divulgado o número de presos nem o balanço final da operação.

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