ONG de Mesquita pede ajuda para não fechar as portas

maio 8, 2018 /

É com amor e dedicação que a fonoaudióloga Fátima Santos, fundadora da ONG Casa Jovem Júnior, vem mudando a realidade de muitas crianças carentes do bairro Coréia, em Mesquita. Entre brincadeiras, pinturas e cineminhas improvisados a criançada é sutilmente retirada das ruas, e por consequência, desviadas da convivência com o tráfico. Mas nos últimos dois anos, a Casa tem sofrido com a escassez de recursos financeiros, o que afeta diretamente as despensas da unidade. Além da alimentação e produtos para limpeza, o espaço também precisa de reformas, pois vem se degradando devido ao tempo e uso.
Mesmo com as dificuldades batendo na porta da instituição, as atividades acontecem pelo menos quatro na semana, fora os passeios externos. Tudo só é possível porque Fátima se vira nos trinta para conseguir arrecadar doações para alimentar pequenos nos dias de acolhimento e ajudar mensalmente as famílias dos assistidos. No total, 241 crianças são frequentam a ONG.
“Não tenho vergonha de pedir para eles. E quando surge doações, eu pago do meu próprio bolso para buscar. Deus nos ajuda muito”, comenta.
Para tentar quitar os impostos do imóvel, foi criado um bazar dentro da Casa Jovem. Infelizmente, esses valores não cobrem metade das despesas e Fátima tira do próprio bolso  para manter o espaço.
A falta de recursos impede também que a ONG seja reformada. Desde a fiação elétrica antiga e desgastada á reforma das salas de aula e banheiros.
“Nossas crianças precisam de muito carinho, atenção e cuidado. O nome Casa é exatamente para passar a ideia de acolhimento essa garotada, oferecendo muito mais que doações materiais” , explica.
 
Há males que vêm para o bem
A Casa Jovem Júnior foi fundada pela Fonoaudióloga em 2013, logo após o irmão dela, de 16 anos, morrer de overdose de cocaína. A tragédia despertou em Fátima a vontade de transformar a vida de crianças e adolescentes, que vivem em áreas dominadas pelo tráfico. Além de fazer com que esses jovens não tenham o mesmo destino do irmão.
“Nosso objetivo é fazer com que essas crianças se tornem cidadãos do bem, demovendo a ideia de que traficante é herói e que o tráfico é a única  opção para mudar de vida.  Aqui, eles são retirados da ociosidade e aprendem valores e têm contato com cultura e diversão”, afirma.
A proposta do projeto é oferecer um ambiente agradável e atrativo para os assistidos, para que eles troquem as ruas pela Casa. Na ONG, as crianças têm atendimentos psicológico e fonoaudiológico, aulas de artesanato e atividades recreativas. Além das ações internas, Fátima promove passeios a museus, exposições e festas de empresas, onde as crianças recebem presentes e outros mimos.
A Casa Jovem Júnior fica na rua Avenida Brasil n 1591, e está aberta para voluntários que queriam atuar nas áreas de saúde, educação e inclusão social. Ainda há crianças sem padrinhos também. Para doações, ligue para 21 99965-9668.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.